Wonder Woman Again

Mais uma vez realizei o sonho de ser, por algumas horas, a Mulher Maravilha!
Deu muito trabalho fazer todo o cosplay... Meu amor me ajudou, mas mesmo com duas cabeças pensantes em algumas peças levamos mais tempo do que o imaginado na execução!
Mas posso falar? VALEU MUITO A PENA!!!  Fiquei super satisfeita com o resultado final, e ver a surpresa e o encanto no rosto das crianças foi a maior realização!

Esse personagem marcou minha infância, posso dizer que foi a primeira mulher com quem eu me identifiquei... A primeira mulher que eu "quis ser"!
Palco da XXI Parada Livre de Porto Alegre
Meu amor... Meu Super Homem!!!






Passadinha rápida... Resumão dos dias

Estou sem internet, então não tenho entrado aqui...
Mas estou curtindo a terapia... Hoje tive a terceira consulta!
Tem sido super positivo para mim, apenas na semana passada, que talvez por ter mexido em feridas da infância, uns dois dias depois da consulta fiquei meio estranha, meio triste, melancólica!

Mas já tratando melhor com o medo. Já até sinto menos episódios de sensação de quase pânico!
Nos dois primeiros encontros quase que somente eu falei... Até não havia gostado muito, por isso.
(Não sabia como funciona), mas hoje teve um certo retorno, reflexões sobre os meus rekatos.
O menino ia falando, e as pecinhas iam se encaixando, mentalmente na minha cabeça... Tudo fazendo sentido!

Sobre a novela "A Força do Querer", achei a Ivana/Ivan meio bunda mole... Faltando um pouco de se impor, de conversar, e até mesmo de equilíbrio no momento da revelação sobre a sua transexualidade! Todo mundo tentou conversar com ela(e) a empregada, o irmão, os pais... Tentando ajudar, entender o que se passava,
Ela fugia da conversa, ao invés de se abrir, mesmo que aos poucos...
Depois, quase em surto, despejou tudo com uma certa raiva, como se as pessoas tivessem culpa, sendo que NEM ELA MESMA SE ENTENDIA (o que não é comum em casos de transexuais)...

Também senti um clima que me inspirou... Será que vai rolar um romance entre o Ivan e a Elis Miranda? Seria bárbaro!!!

Louca para me apaixonar, louca para virar a vida um pouco, sabe?
No momento não tecordo de mais nada, então, fui!

Preconceitos no Mercado d Trabalho (e em geral)


Agora a pouco estava assistindo ao programa Encontro, na Rede Globo e a matéria era o "preconceito no mercado de trabalho".
Perfis que geralmente encontram preconceito ou resistência em entrevistas ou contratações; pessoas negras, mulheres grávidas ou mães recentes, pessoas que moram longe, gays, homens com barba, etc.

Quando o quesito era "pessoas com piercing e tatuagens" minha mãe já disparou -"Eu não contrataria ele, odeio tatuagens"!
Simplismente orientei à ela que, se odeia tatuagens, não faça!!! Pois nenhuma entre as tantas tatuagens que eu tenho me fizeram à força. Tive que pagar por elas, aliás!

Esse trecho é somente para ilustrar a maioria dos preconceitos vividos e replicados na sociedade. Sociedade essa que a cada dia se torna mais inflexível e intolerante com quem vive ou se expressa de forma diferente do meu pensamento ou ideologia!

Eu não gosto de calcinha, não uso. Ponto. Simples, né?!? Agora, querer influenciar ou moldar os outros pelo meu gosto, pelo meu pensar? É como eu estar de dieta e querer proibir todo mundo de comer porque eu não posso! É uma escolha pessoal.

E não é definitiva, aliás!

Agora, querer definir o outro por tatuagens, piercings, barba, cor da pele, orientação sexual, cabelo, etc... E olha que creio que nem foi tratado o ponto de idade na conversa!
No trabalho que fiz na PUC RS, de recepção, a maioria (99%) das meninas eram jovens! Daí já reforça mais ainda o português de não terem me chamado para novos eventos... Além da questão de identidade de gênero, a idade também é fator de peso.
Pessoas acima dos 40 anos, que não tenham uma qualificação e especialização bacana, ou que estejam a um certo tempo fora do mercado de trabalho, geralmente não tem vez. Talvez mesmo para as vagas mais básicas, como limpeza e manutenção.

Numa página no Facebook de um rapaz que faz recrutamento para trabalho em eventos, sempre constava o termo "boa aparência"... Mesmo sabendo que hoje não é permitido o uso desse termo, quem lê já imagina os grupos que são excluídos ali...

Oportunidade para pessoas Trans em Porto Alegre

O NEPsiD, em parceria com a PUC/RS oferece essa oportunidade incrível para pessoas transexuais e travestis, residentes em Porto Alegre e região metropolitana. Contato, inscrições e maiores informações pelo e-mail nepsidiversidade@gmail.com  Não perca!

Medo da Vida, Eu???

Sabe, eu ainda não havia comentado sobre isso por aqui ainda... Até pelo fato de não saber lidar direito com a questão. Também por estar tentando resolver sozinha a questão, mas receio estar passando por crises de pânico!
Depois de sofrer dois assaltos em questão de um mês, passei a ter muito medo... Um sentimento de insegurança acima do normal, creio eu. Mas, se levarmos em conta tudo o que vemos nos noticiários sobre a onda de violência e criminalidade que afeta o país e sobretudo as capitais, seria até considerado normal.
Eu digo seria, pois de um tempo para cá, isso tem afetado minha rotina, impedido muita coisa em minha vida social (principalmente em eventos noturnos), e até mesmo em casa, esse sentimento de insegurança, que agora já sinto mais como um PAVOR, tem tirado até mesmo meu sono!

Tive que procurar ajuda médica especializada, tamanho medo chega a me trazer dores físicas agora! Afeta meu humor (até por não dormir bem) e também a ansiedade me faz comer sem parar. A senhora dieta (eu) agora está até bem mais gordinha!
É horrível, perturbador se sentir insegura em qualquer lugar que se esteja, medo de sair seja de carro, onibus, lotação. Medo de ficar em casa. Medo de tudo!
E o pior é que isso não atrapalha somente o MEU dia a dia, mas também compromete a vida social de meu esposo; pois aceitar convites para jantares, pizzaria, cinema, casa de parentes à noite, NEM PENSAR!

Procurei a orientação de uma psicóloga, porque como já tive depressão e com esse medo que tenho tido sinto que estou me isolando, temo que um quadro depressivo volte a se apresentar!
Ainda lembro bem dos tempos de depressao... Dias a fio trancada no escuro. Dor e sofrimento profundo. Não quero voltar para isso não!!!
Procurei uma amiga querida, Marcelly Malta da ONG Igualdade-RS e perguntei se a associação ainda contava com acompanhamento psicológico e felizmente ela, em uma agilidade inacreditável já agendou para mim esse primeiro contato, que foi ontem.

Não podemos ter receio ou preconceito em buscar auxílio na psicologia quando necessário, principalmente nós, pessoas trans, que geralmente já trazemos algumas questões emocionais, sociais ou de autoestima. Cicatrizes na alma de modo geral.
Sempre fui uma pessoa firme e destemida. Me julgava corajosa... Essa pessoinha com medo de tudo, medo da vida, não sou eu! Se Deus quiser logo irei sair dessa, não desejo sentimentos como esses à ninguém...

Mulher Maravilha desde sempre

08 de agosto de 2017

Se teve um personagem de tevê que sempre me fascinou e marcou minha infância, adolescência e minha vida em geral foi a Mulher Maravilha!

Lembro de quando ainda morava em Uruguaiana (deveria ter uns sete ou oito anos no máximo) e ficava fascinada assistindo aos episódios da minha série favorita! A forca e protagonismo dela me encantavam! O fato de ela SER a heroína, de não ser frágil, não precisar de um homem para salvá-la ou protegê-la. Ficava imitando ela ao girar, para a transformação de Diana para Mulher Maravilha. Criei fascínio e admiração pelas secretarias, pelo fato de Diana ser uma secretaria. Aquele óculos e o coque lhe dava além de charme um toque especial de fragilidade e timidez. Já o uniforme da heroína era totalmente atrevido e ousado para a época! Um shortinho perigosamente cavado e um tomara-que-caia em tom vermelho eram tão marcantes que não sei como ainda assim a amazona tinha credibilidade!

Hoje ainda sou fascinada pelo personagem, principalmente pela versão eternizada pela maravilhosa Lynda Carter (para mim a única, eterna e verdadeira Mulher Maravilha)!!!
Mas depois de tanto relutar, finalmente estou aceitando essa nova versão interpretada por Gal Gadot (a qual virou filme campeão de bilheteria) não como "A" Mulher Maravilha, mas como "UMA" Mulher Maravilha! Apenas uma versão dela! Não como uma personificação real da personagem.

O uniforme ousado agora é representado por uma armadura QUASE comportada, uma saia azul com alguns cortes assimétricos e também ganhou uma espada e escudo. Eu não quis ir ao cinema assistir, como protesto por terem violado a imagem idolatrada da infância, gesto igualmente infantil, eu sei...
Mas o fato é que agora que o filme não está mais em cartaz, me arrependo de não ter assistido, pelo menos para entender a história, mesmo que deturpada.

Quando entrei com meu pedido de Retificação de Registro Civil,  quase que escolhi o nome Diana, pela importância que o nome tinha para mim. Mas já era conhecida por Cristiane, e achei que não seria legal trocar novamente! Mas, quando iniciei na prostituição, usava esse nome. O titulo do meu anuncio na página de acompanhantes era"Diana caçadora, uma bela amazona"... Eu me sentia! (Risos)

Cirurgia de Mudança de Sexo - Expectativa e realidade

Esse assunto além de polêmico é também um tabu e causador de desconforto no universo (de algumas pessoas) trans.
Como já havia comentado em uma postagem antiga, me preocupa essa tal "Glamourização da Transexualidade", todo esse glitter jogado sobre o assunto. Essa DESinformação trazida pela mídia e replicada por muitas pessoas trans, até.
Hoje em dia parece que é chique ser trans, que ser travesti, por exemplo, é algo pejorativo! Mas tenho mudado meu pensamento, levando em consideração que a nomenclatura é somente um rótulo, a vivência é que importa!
Mas a verdade é que muitas travestis, que me chamavam de louca, que diziam que as trans são "tudo loucas", que diziam JAMAIS cortar o seu pintinho, já passaram pela cirurgia fora dompais, ou estão sentadinhas na fila do SUS aguardando pela readequação.

Não sei porque me veio esse pensamento hoje, nessa tarde chuvosa de agosto, mas fiquei pensando sobre o que eu esperava da cirurgia e do pós operatório. Resolvi mexer sim nesse vespeiro.
Pois além das expectativas que alimentamos, também temos nutrido algumas ILUSÕES sobre um certo Conto de Fadas depois de operar.

Eu, antes de passar pela cirurgia -juro- não me importava se iria doer muito, se ficaria uma vagina "perfeita ", se teria sensibilidade ou orgasmos, se a vagina seria funcional (penetrável), nem mesmo se correria o risco de morrer durante a cirurgia.
Mas ouvia e acompanhava relatos de meninas que pensavam que esse passe de mágica aconteceria assim, em um pacote fechado, entre o dormir e acordar!


Algumas somente iriam namorar ou se relacionar afetivamente DEPOIS, outras esperavam ser inseridas no mercado de trabalho DEPOIS, outras (como eu) sabiam que somente seriam felizes, plenas, DEPOIS.
Aprendi nas terapias em grupo que tínhamos que ser felizes já! Trabalhar, amar, etc... Para não correr o risco de apostar em algo e nos frustrarmos ao ver que não era somente aquilo que faltava para viver.

Pouco antes de marcar minha cirurgia, não nego que fiquei em dúvida e receosa... Não pela cirurgia em si, mas pela expectativa que eu havia construido e pelo fato de já estar casada e ter feito meu esposo ter as mesmas expectativas que eu. Pois pouco antes da cirurgia, ouvi da equipe que o resultado era perfeito, que a vagina ficava idêntica à uma vagina biológica, que somente se fôssemos a um ginecologista para notarem que era resultado de uma cirurgia, pois a aparência externa era igual, etc... Ouvi isso na terapia em grupo, da equipe do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Me arrependi de ter contado ao marido esse relato, pois "e se não fosse a minha realidade"?
Realmente NÃO FOI... A aparenencia externa lembra sim uma vagina... É uma vagina! Um pouco diferente, mas é! Das meninas que eu vi o pós operatório, somente UMA eu classificaria como "perfeita"!
SE eu tivesse colocando toda a minha fé naquela promessa, eu teria tido um susto ou uma decepção tremenda! Felizmente não, tirando o que me encomodava já estareia feliz e satisfeita!

Outra questão (que para mim é relevante) é sobre a penetração/profundidade ... -Lembrando que operei a 16 anos atrás e hoje as técnicas TALVEZ tragam resoltados melhores- Na primeira cirurgia não tive profundidade no canal vaginal e sentia dores durante a relação, o que impossibilitava permitir a penetração. Então fiz uma segunda cirurgia, para aprofundar o tal canal... A dor que não senti na primeira intervenção cirúrgica (que era muito mais complexa), senti nessa segunda internação! Fiquei internada pelo dobro do tempo e ainda fui para casa com dores!
Conseguia ter a penetracao sem dor, até porque ainda estava com aquela região bastante dormente.
Mas com o passar do tempo, foi fechando novamente, ficando apertado e dolorido. Desisti de usar e também de alguma nova tentativa cirúrgica!
PORQUE.??

Bom, aí vem algo que ouvi de uma menina uma semana antes de operar... Estávamos na espera para o atendimento individual  com a psiquiatra e ao contar à ela que na próxima semana eu iria operar, ela disparou "aproveita para gosar bastante, porque tu ja sabes que depois já era; Né"?
Para mim, a questão do orgasmo não era assim tão importante! Mas, como eu sabia pelas meninas que, realmente, na maioria dos casos conhecidos depois de operadas as meninas perderam a sensibilidade, me senti e sintomuma sortuda. Uma privilegiada por sentir prazer!
Sei que uma nova operação pode anular a sensibilidade ou quem sabe me tirar a possibilidade de ter orgasmos, e sinceramente não quero arriscar!

Não curti tanto assim a penetracao vaginal (tanto que fechou novamente) e colocando na balança o meu prazer e o do outro, escolho O MEU!  Simples assim!
Tenho uma amiga que perdeu em 100% a sensibilidade na região... Não sente nada, nadica!
Fico imaginando a tristeza dela, pois para ela isso era sim importante! Lhe causa sofrimento!
E quando eu, dormindo, gozei pela primeira vez, nem acreditei, pensei que talvez fosse outra coisa... Algo somente do sonho, a sensação que senti durante o sonho! Estava bem molhadinha, mas como tinha por certo que não gozaria mais...
Até que enfim um dia aconteceu comigo beeeem acordada, durante uma relação sexual, e a sensação é indescritível! Uma realização, um presente de Deus e da equipe do Dr. Koff! Enfim...

Uma decepção que algumas pessoas talvez encontrem em relação à uma possível expectativa é sobre "ser melhor aceita" depois da readequação! A cirurgia, quem faz, faz para sí, para se encaixar no sexo ao qual se identifica desde sempre. Agora, imaginar que porque mudou de sexo, a família do namoradinho, o moço da padaria, o fiscal de trânsito e até os familiares irão te tratar diferente é utópico demais! O preconceito é uma questão cultural, e somente com cultura, informação e paciência (fora o apio e respaldo legal/judicial) que pode ser revertido!
Quem sofria preconceito ou discriminação no seu ambiente, seja de trabalho, estudo, familiar continuará passando pelas mesmas situações! MAS, agora mais forte, para se impor contra essa opressão causada pelo preconceito e a discriminação! Pois a auto estima é tudo, para empoderar a quem sempre esteve em possível situação de inferioridade.
Eu, por exemplo, comecei a me sentir poderosa, gostosa, plena e absoluta depois dos 30 anos... Depois da cirurgia de readequação sexual! E ai, meu bem, já era ruim de eu aceitar algumas situações que antes até relevava...


Discutir Questões de Gênero nas Escolas Realmente Importa???

Uma decisão ainda inédita do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso obtida pelo GLOBO suspendeu lei de Paranaguá (PR) que proíbe informações sobre gênero e orientação sexual nas escolas do município.
Acompanhando a matéria sobre a suspensão da lei que proibia a discussão sobre gênero nas escolas do Paraná, e sobretudo lendo seus comentários, meu sentimento foi de espanto!
A maioria das pessoas na verdade desconhece a questão e o que realmente essas discussões envolvem! Trata-se muito mais do que dizer que "um menino na verdade pode ser uma menina por dentro "! Trata-se de respeito, inclusão, humanidade e tolerância ao que nos é diferente!

Fiquei feliz e aliviada ao saber que ainda existem pessoas sensíveis ao sofrimento do outro:
“Não tratar de gênero e de orientação sexual no âmbito do ensino não suprime o gênero e a orientação sexual da experiência humana, apenas contribui para a desinformação das crianças e dos jovens a respeito de tais temas, para a perpetuação de estigmas e do sofrimento que deles decorre”,
aponta Luis Roberto Barroso na decisão.

Muitos pais preocupados que os filhos "virem gays" ao receberem a informação de que existem pessoas de identidades de gênero diversas. Como se isso fosse possível! Seria melhor eles terem a informação deturpada de que isso seja doença, pecado, promíscuo(?), pouca vergonha???
A maioria dos homofóbicos recebeu o pré conceito na infância, de amigos, colegar e muitas vezes até em casa; de pais ou irmãos mais velhos!

Será que é preciso ter um (a) filho(a) Trans para sentir compaixão por alguém que sofre todo tipo de violências no ambiente em que deveria aprender, crescer e se sentir acolhido??? Violência moral, verbal, fisica e psicológica são as mais comuns! Ser excluído até dos trabalhos em grupo, não ser aceito nas "turminhas", ser agredido, expulso, violentado ou passar por alguma outra situação vexatória ou traumatizante ao usar o banheiro, e preferir se "mijar nas calças" a entrar no banheiro novamente (aconteceu comigo) ou receber apelidos pejorativos, etc, etc, etc...
Só quem passa ou passou por isso, ou quem é mãe ou pai de uma pessoa de identidade trans sabe o tormento que é e as feridas que deixam na alma!

A intolerância cresce... O antidoto é a informação, em primeiro lugar! Humanização do ensino, EDUCAÇÃO! Seguidos de acompanhamento psicológico (para os agressores), leis mais rigorosas para crimes de ódio e intolerância, amor! Mas tudo começa pela educação,pela informação.


Leia mais:  https://oglobo.globo.com/sociedade/stf-suspende-lei-que-proibia-ensino-sobre-genero-nas-escolas-do-parana-21491015#ixzz4kY5Ghbp4 
stest 

Testagem anti HIV e demais DSTs

Durante muitos anos de minha vida sexual não me cuidava, mantinha as relações sem preservativo.
Na maioria das vezes de propósito, para ver se contraia algo, uma doença incurável e que matasse rapidamente. Não via graça nem sentido na vida mesmo! Algumas vezes transava com três homens na mesma noite, todos sem camisinha. As vezes tinha até mais parceiros num mesmo dia.

Quando fiquei sabendo que a cirurgia de "mudança de sexo" havia sido liberada e estaria disponível pelo SUS, nos hospitais universitários, tive muito receio de ter realmente me infectado com algo e isso fosse impedimento para a realização da cirurgia. Não tive coragem para esclarecer essa dúvida com as médicas durante as primeiras consultas. Queria perguntar se alguém sendo soropositivo, por exemplo, poderia se submeter à uma cirurgia dessa complexidade.

Tive que aguardar até depois de fazer todos os exames e testagens (e foram muitos) para depois de mais de um mês saber finalmente os resultados.... Chorei muito, em agradecimento a Deus por ter me cuidado mesmo quando eu me descuidava, relaxava com minha saúde.
Não apareceu nenhum problema, em nenhum de tantos exames! Nada! O único que me preocupava realmente era o anti HIV. A doutora quis saber o porque de minha preocupação e contei à ela.

"Bom, se antes tu não te cuidavas porque não via sentido na vida, agora terás um bom motivo para começares a se cuidar, a usar camisinha sempre "! Essas foram as palavras, essa foi a orientação e isso foi o que fiz dalí em diante.
Mesmo durante o período em que me prostituia, o sexo sempre seguro! Não fazia nem o sexo oral sem camisinha, as vezes perdia o cliente ou programa por conta disso. Mas não abria mão. Pouquíssimas vezes fiz sem, geralmente "dava o truque", passando os lábios no pinto do pagante... E nas únicas vezes em que fiz, foi sempre em programa completo. Porque daí inventava que havia sentido algum cheiro desagradável, ou que apenas iniciava o oral sem preservativo, e já ia colocando a camisinha e partia para o segundo ato. Esse era o truque!
Só não usava e não uso preservativos com meu marido. Não vejo necessidade.

Mas depois que comecei a ter relações sexuais com mulheres, entrei em um dilema. Mais um.
Como fazer sexo (lésbico) seguro? Jamais iria usar plastico filme para fazer sexo oral em uma mulher! Assim como jamais aceitaria de alguém tal postura. Chupar um pinto encapado, tudo bem.
Até porque nunca gostei muito de sentir o gosto deles. Prefiro sempre com camisinha. Nem tanto pela proteção, mas por questões pessoais mesmo. Algumas pessoas identificam como frescura...

O fato é, o que adianta fazer o oral com camisinha e quando se trata de uma mulher, não usar de nenhum método de proteção? Daí quando estamos em algum encontro de swing, tenho feito o oral no homem também sem proteção, e isso me preocupava! Além do sexo com as meninas, obviamente.
Então, aproveitando um projeto da Fio Cruz (a Pesquisa Divas) que visa fazer um panorama nacional de mulheres com identidades trans, fiz as principais testagens. Graças à Deus novamente tudo ok!
Daí eu vejo o quanto vale a pena a gente se cuidar. O valor da saúde nenhum cliente paga!

Do tempo em que entrei e sai da prostituição, quantas meninas já foram infectadas? Quantas já faleceram por não fazerem o uso correto do tratamento antirretroviral? Quantas ainda não fizeram nenhuma testagem para, se necessário, iniciar um tratamento? A prevenção vem em primeiro lugar, mas se cuidar caso tenha adquirido qualquer que seja entre as tantas DSTs, é fundamental. Hoje praticamente nenhuma doença é sentença de morte! Basta seguir à risca as orientações médicas, aderir ao tratamento indicado e procurar ter ema boa qualidade de vida!

Desde o resultado desses exames tenho repensado minhas práticas. No momento tenho parceiros fixos. Mas nem isso me isenta de futuros riscos.
A saúde vale muito, a vida vale mais. E uma vida com qualidade então... Revendo conceitos!


Se eu namoraria uma mulher???


À duas semanas atrás conversando sobre a vida amorosa, com colegas no evento em que trabalhei na PUC RS,  me fizeram uma pergunta que por esses dias tem me feito pensar, refletir e não chegar a nenhuma conclusão! Não curto esse lance de não ter posicionamento, de não ter opinião formada sobre algo. Mas, nesse caso,  realmente não sei ainda a resposta!

A conversa era sobre "amar enquanto o outro só quer sexo", uma das meninas apaixonada enquanto o rapaz com quem ela fica eventualmente apenas curte ficar com ela, mas já deixou claro que não deseja se envolver de maneira séria. Contou a ela que já sofreu, já amou e foi magoado, rejeitado e tem medo de sofrer com uma nova perda. Ele teme se envolver e ela via a abandoná-lo. Pode?
Pensei que esse tipo de insegurança fosse uma questão pertencente unicamente ao universo feminino.

Mas enfim, relatei meu caso. Comentei que já havia me apaixonado em uma relação desde o início sabidamente de SOMENTE SEXO, sem nenhum outro tipo de envolvimento. Contei o quanto eu sofri e que essa paixão, esse sentimento ao mesmo tempo que me fez tanto bem também por outro lado me trouxe muito sofrimento. Porque me vi amando alguém que por mim  somente sentia tesão.

Falei do quanto era gostoso estar com a pessoa (não revelando que era uma mulher), mas que a pessoa não tinha a saudade e vontade de repetir o encontro com tanta frequência quanto eu. Por mim nos veríamos toda semana, mas ela tinha faculdade, trabalho, prova, sempre uma desculpa... Eu chorava por não entender essa paixão e por não ser correspondida também! Chorava muito!
Então, tive que cair na real, me valorizar. Amor próprio é fundamental! Quando resolvi me valorizar, parei de chorar! Não ficava mais à espera de mensagem, ligação, etc... Não criava fantasias e ilusões. 
Buscava outros encontros, outros sabores, outros perfumes e outras sensações. Enfim, não parei no tempo. Me permiti vivvenciar outros momentos ao invés de sofrer e encucar! 

Elas imaginando que esse relato fosse de algo ocorrido há muitos anos atrás, antes de eu casar...
Mas daí eu deixei uma brecha... Ela me perguntou se foi fácil assim, e respondi com a verdade "Não, ainda chorei algumas vezes, ainda me iludi que voltaria, AINDA LEMBRO E AS VEZES CHORO"! 
Quando eu disse que às vezes ainda choro, ela se deu conta de que poderia ser algo recente. Ficou confusa... Perguntou: "como assim"??? Perguntou se era algum amante, se eu traio ao meu marido, se eu ainda me encontro com ele... Dez perguntas de uma só vez!

Daí tive que contar a história toda... Desde o início! 
Que um dia senti atração por mulheres, que tomei coragem e contei ao meu marido, que ele me encorajou a realizar essa vontade ou fantasia, que conheci uma menina linda, legal e me apaixonei por ela. Tem o texto (OS textos) dessa paixão aqui, e de todos os grilos que isso me causou.

É incrível o espanto em que as pessoas ficam, por uma transexual ser apaixonada por uma mulher. Devem pensar "Existe transexual lésbica"? Ou será que a pessoa 'se arrependeu'? Kkk
Acho que ela ficou mais chocada pelo fato de ser por uma mulher meu sofrimento do que pelo fato de ser em uma relação extra-conjugal. Mas eu adoro provocar o debate, levar as pessoas a pensar... 
À conhecer outras nuances da vida. Outras realidades, e nesse caso, algo novo até mesmo para mim!

A conversa esquentou, várias outras perguntas surgindo, então veio a principal: "O que tu queria dela sendo tu casada? Tu namoraria com ela? Deixaria teu marido para ficar com ela? Hã???
Na hora, num ímpeto, respondi que jamais! Tá louca? 

Ela somente disse para eu parar de ser preconceituosa (logo eu),  e me mostrou o quanto eu estou insegura e vulnerável nessa questão... Porque reclamava por ela não querer nada sério e não ter tempo para nós, mas também não queria nada sério... Felizmente o trabalho nos chamou, não voltamos a tocar no assunto, e creio que essa conversa morreu ali, pois não sei se um voltaremos a trabalhar juntas ou a nos encontrarmos. Até que é bom por um lado, pois estou tendo muito tempo para pensar!

A questão do "namorar", já é uma realidade. Já tenho uma quase namorada. Com total conhecimento, apoio e aprovação do marido! Então namoraria uma menina sim, sem grilos! Mas, se (Deus me livre) o romance ficasse sério, eu entraria em parafuso! Não me vejo casada com uma mulher!!!
A menos que não deixasse meu marido, meu amor... Se formássemos um trisal, ele, ela e eu. Aí sim!
Esse lance de poliamor é algo muito novo e desconhecido da maioria das pessoas, mas creio que dê certo sim. Nunca havia pensado na possibilidade antes daquela conversa. Só queria registrar mais essa inquietação, compartilhar mais essa passagem da minha vida com meus leitores. Beijo à quem acompanhou até o final, obrigada pelo carinho do interesse. Deixe sua opinião, é importante!








Princesa Sarah Sheeva

Acabei de acompanhar no programa do Amauri Jr. uma maravilhosa entrevista com a filha da Baby do Brasil, a Sarah Sheeva! Que espetáculo de mulher, espontânea, autêntica e de uma personalidade única e marcante.

Sarah comentou sobre o curso/culto para "deixar de ser cachorra e se tornar uma princesa" e falou com clareza e naturalidade sobre seu passado de ninfomaníaca e sua abstinência de sexo e beijo, que já dura mais de 15 anos.

Não senti nenhum tipo de "ditadura" em suas falas, apenas o relato de sua experiência com Deus. E suas orientações são fundamentadas justamente nessa experiência. Ou seja, ela mudou de vida, hoje é muito mais feliz, e deseja indicar a outras pessoas o "Caminho da Felicidade"! Só isso.

Não concordo ou compactuo com vários pensamentos dela, mas me encanta gente verdadeira! Vi isso nela; verdade! E falar o que se sente e o que pensa sem buscar julgar, ofender ou excluir alguém hoje em dia é algo raro... Ela consegue. Em nenhum momento ela fez juízo de valores, apenas expressou, em alguns momentos, a realidade.

As vezes a realidade choca, fere... Até mesmo eu me enquadro em algumas questões (sem grilos), mas tudo o que nos provoca ou convida à pensar é positivo. Acompanho a algum tempo as entrevistas e matérias sobre ela, continuarei acompanhando. Até o momento não vi nada negativo, pelo contrário. Em tempos em que nem a Lei Maria da Penha diminui a violência doméstica contra mulheres, um curso que ensina os homens a tratarem suas amadas como princesas é presente de Deus para as famílias!

#GRATIDÃO


Oportunidade Para Pessoas Trans: Quem Dá???

Nós,  pessoas transexuais, estamos acostumad@s a receber muitos 'nãos'! No mercado de trabalho, instituições de ensino, para se qualificar profissionalmente e algumas vezes até mesmo na própria família!
Direitos negados, exclusão e preconceito (velado ou escancarado) sempre fazem parte do dia a dia de pessoas com identidade trans. Principalmente para aquel@s que não tiveram seus documentos civis retificados, ou seja, que não fizeram a troca/alteração de seus documentos para usar legalmente o nome pelo qual se expressa na sociedade. O nome com o qual se identifica de acordo com sua identidade de genero.

Procurar trabalho ou emprego geralmente além de ser difícil pela escassez de ofertas de vagas, devido à crise financeira, ainda traz consigo as prováveis limitações "justificadas" pela nossa expressão de gênero ou pelo nome nos documentos não ser compatível com a aparência da pessoa...
Não sei se estou certa, se confere, mas creio que TALVEZ os homens trans encontrem menos dificuldades nesse quesito, pois sua aparência  e voz mudam muito após a terapia hormonal!
Então, nesse caso, após a retificação de registro civil, seria tudo muito mais tranquilo!

As transexuais, por sua vez, tem especificidades mais complexas. Coisas que nos "denunciam" mesmo após a retificação do nome nos documentos. Coisas tais como a voz mais grave, pelos no rosto (que somente a TH não resolve) e outras peculiaridades pessoais que TEMOS DIREITO À TER!

*Peço desde já desculpas se estiver equivocada em alguma ou várias questões... Escrevo, penso e falo por mim somente!

Mas, sabe o que te motiva, faz a diferença na sua vida? Quando você está em casa, toca o telefone, e é uma oportunidade, sendo oferecida assim... Do nada, espontânea e de coração!
Foi o que aconteceu comigo na semana passada! Recebi um telefonema de Brasilia, era a querida Ana Lourdes, do. IBRAM me ofertando uma vaga para trabalhar na secretaria durante o 7 Fórum Nacional de Museus. Lógico que eu mal acreditei, fiquei surpresa e muito feliz! Estava precisando muito, principalmente para resgatar minha autoestima.
Foram dias inesquecíveis de acolhimento, inclusão e aprendizado! Muito trabalho Recebi o carinho e respeito de toda a equipe, da organização e coordenação, dos participantes em geral... Enfim, a conclusão e moral que tirei dessa experiência é que o mais importante para fazer a DIFERENÇA é alguém se propor a dar a oportunidade... Abrir a porta. 

A tão querida e generosa Ana Lourdes... Um ser humano especial como há muito eu não via!

Maturidade Transexual


Eu, há mais de dez anos atras, pensava que teria a tal ‘Crise dos trinta’. Porque sempre tive medo, preguiça de envelhecer!

Certamente já comentei em alguma postagem aqui que quando adolecente e logo na entrada da vida adulta por varias vezes tentei o suicidio. Não desisti de morrer, mas desisti do suicidio... nunca dava certo, e já estava virando motivo de chacota entre a vizinhança! Desejava viver NO MÁXIMO até os trinta anos de idade. Não mais.

Então , quando fui chegando nos 30, pensava que teria a famosa crise, por estar “ficando velha” e por estar viva, principal mente!

Cheguei nos trinta, trinta e um, dois, tres, quatro... Na verdade nem vi os anos passarem. A vida já não me pesava tanto como antes!  (O que me fez ter vontade de viver foi ter feito a cirurgia de redesignação sexual). Na verdade, comecei a viver, a me sentir poderosa, gostosa, plena aos trinta anos. Pois havia a pouco realizado meu sonho... Tudo era  novidade para mim! Como se tivesse zerado o cronometro, um restart.

Quando fui chegando perto de completar 40 anos, pensei novamente que iria encucar com esse lance de idade e tal... Mas, quer saber? Já estou com recém completos 4.4 e percebi que eram apenas numeros, que nada mudou!

Não sei dizer até que ponto é igual, ou se difere em algo a maturidade de mulheres cis e mulheres transexuais, MAS, creio que se em algum ponto a influencia existe (e pesa) é na questão dos hormônios. Quando estou sem tomar os hormônios, sinto dores, desconfortos, desânimo, cansaço, etc... Quando estou tomando engordo, fico irritada, etc...

É as vezes assustador comparar fotos atuais com as mais antigas, perceber as mudanças que o tempo causa no rosto, pele e tal. Mas em uma soma geral, ver que conquistei tudo o que queria de realizações (não materiais) para minha VIDA, me faz ver o que eu teria perdido se tivesse morrido antes dos trinta anos de idade. Que tem coisas que somente a maturidade trazem. Para mim a sensatez –geralmente volátil- foi a principal.

Até gostaria de voltar aos meus vinte anos de idade, com o corpicho e a carinha que tinha naquela época, mas com a cabeça e conhecimentos que tenho hoje. Iria ousar mais, me permitir mais, viver mais!