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A Dor e a Delicia de Ser EU

Tenho andado meio introspectiva, pensando e fazendo um "balanço geral" de minha vida.
Sempre passo por isso, mas geralmente mais para o fim do ano, como uma revisada no ano que está por terminar, mas dessa vez além de ser bem antes (três meses) do fim do ano, essa reflexão é muito mais extensa, mais ampla no sentido de uma vivência mesmo.
Isso é super positivo. É salutar revermos conceitos, idéias e atitudes; mas principalmente aproveitar esse balanço para fazer uma viagem ao nosso interior, para sentir e ver as marcas e cicatrizes deixadas por nossas escolhas, e uma viagem ao exterior, para vermos nossa alma. O que estamos fazendo à ela e (ou) com ela.

Sempre fui uma pessoa difícil (e ainda sou), nunca fui influenciável, sempre firme em minhas posturas e conceitos, por muitas vezes quiz ser a dona da verdade. Bati de frente com pessoas queridas por bobagens inúmeras vezes, supervalorizei quem e oque não merecia outras muitas.
Passei por situações que endureceram-me o coração e escureceram-me a alma. Errei muito.

Busquei sempre ser amiga dos amigos, sincera a qualquer preço, honesta comigo e com os outros. Procurei ser uma pessoa decente, humana e leal. Procurei ajudar a quem precisava de auxilio, palavra, ouvido, ombro amigo!
Amei (e amo) a Deus acima de tudo, busquei não me afastar de seus ensinamentos e amar ao próximo como a mim mesmo (mesmo as vezes sendo difícil).

Amei, briguei, odiei, sorrí, busquei, cantei, chorei, dancei, gozei, espraguejei, beijei, trabalhei, doei, fui, voltei, neguei, adorei, cortei, subi, mudei, louvei, pintei, namorei, falei, abracei, decorei, nem sei...
Mas principalmente, vivi, aprendi e ainda desejo aprender.
Já fui péssima, já pedi para ser ainda pior. Hoje tento ser melhor e imploro para conseguir.

Das cicatrizes que ví, a maioria são de responsabilidade minha. Brigar por brigar, querer ter sempre razão, dar cabeçadas e continuar na teimosia.
Felizmente hoje, mais tranquila, consigo pela primeira vez depois de tanto tempo olhar novamente para dentro de mim e ver EU MESMA, com minhas DORES E DELÍCIAS.
Busco em minha fé em um Deus vivo e em seu amor incondicional, a força para ser melhor e a coragem para apontar meus erros e corrigi-los. pois encontrar, identificar os defeitos de um carro que não sai do lugar e não consertá-los, não o fará mover-se. E eu desejo sir do lugar, ir longe, alcançar o inalcansável.

Aprendí com a Ana Maria Braga, em uma de suas mensagens matinais, algo que é uma lição de vida:

Ser Feliz ou Ter Razão

Na vida, precisamos entender o que para nós é mais importante, ser feliz ou ter razão.

Se escolhermos ser feliz, daremos importancia somente para o que realmente tem importância: SER FELIZ. Aprender a relevar, entender e amar ao outro mesmo com seus defeitos. Não somos os donos da verdade.
Ter razão é bom, mas se escolhermos sempre ter razão (nunca relevar, entender ou se colocar no lugar do outro) será difícil ter felicidade. Pois tentar sempre ter razão, além de ser chato e cansativo, ainda nos faz brigar com quem amamos (ou conhecemos ou não) e isso nos traz tristeza na alma.

Então, a partir de agora quero é ser feliz! Lutar sim pelo o que acredito, mas algumas vezes pelo menos abrir mão de ter razão. Saber que a minha verdade é somente a MINHA VERDADE, não necessariamente a do outro. Que o respeito é um direito comum, que se não sou respeitada em minha essencia ou direitos, ou vejo o próximo nessa situação posso e devo lutar, brigar e reclamar o respeito. É até um dever de cidadania e jamais abrirei mão disso, mas de coisas pequenas, dou risada e sou feliz!

Blog; a importância do retorno

Para mim (e creio que para a maioria dos blogueiros) a maior demonstração de retorno, de que está no caminho certo, sejam as visitas, o número de seguidores (se o blog tiver esse recurso) e os comentários e sugestões deixados pelos visitantes... É para mim o maior estimulo!!!
Dá energia e vontade de continuar escrevendo e confidenciando minhas vivencias, replicando ou escrevendo matérias interessantes sobre variedades, produtos e atualidades e socializar fatos e atitudes, sejam positivas ou contrárias àos LGBT's.
Quando recebo um e-mail ou contato solicitando uma informação, esclarecimento ou entrevista, sempre que é pertinente respondo. Por vezes, quando não tenho a informação solicitada, pesquiso, ou aciono os meus contatos, buscando uma forma de auxiliar ao leitor na solução de sua necessidade.
Mas o maior retorno é sempre os comentários, sem dúvida. É para mim o termômetro de que estou [ou não] no caminho certo, de que ainda vale apena continuar. Por vezes, ao postar sobre algo, o blog recebe inúmeras visitas após divulgar via Twitter ou Facebook, mas ninguém comenta...
Confesso que isso sim me intristeçe e desmotiva um pouco! Não que alguém seja obrigado à comentar. Mas pela expectativa do retorno, e da discussão sobre determinado assunto! Só isso!
O Diário de Uma Transexual é um blog que surgiu de maneira despretenciosa, apenas para desabafar e contar minhas coisas, em um momento em que estava sem amigas para desabafar e dividir, pois minha maior amiga eu tinha perdido à pouco. Haviamos nos afastado, e sempre dividiamos TUDO uma com a outra, as coisas boas e tristes. Momentos dificeis; sempre a tive ao lado. Eramos irmãs...
Mas então pensei... Um diário seria bom; e se fosse virtual melhor ainda. Assim dividiria com muita gente (de repente até mesmo com ela) as vivencias e pensamentos, e talvez até encontrasse pessoas com os mesmos grilos e situações, para enriquecer a troca. Mas quando a troca não vem, fico triste.
Não quis e não quero colocar anuncios pagos no blog, não o fiz para isso! Divulgo sites e blogs de parceiros. Prestigio meus amigos. Escrevo pensando em voces, e n@s tant@s pessoas trans e demaios LGBT's que vivem ainda na opressão e até clandestinidade, pela realidade violenta e covarde de algumas regiões do país. Recebo e-mails de pessoas do interior de alguns estados, que revelam um realidade tão ultrapassada e homofóbica, que nem parece atual e real. Será um retrocesso?
E o que acontece nas grandes metrópoles? Na Av. Paulista, por exemplo?
Não seria esta a hora de botarmos a boca no trombone? SIM! E por algum lugar devemos começar!
Alguns chamam isso de "Ativismo de sofá", mas como diz um comercial de TV recente: "Antigamente, as grandes revoluções começavam nas ruas; hoje começam nas redes sociais"! E eu, enquanto militante, não poderia me omitir e deixar de utilizar este espaço para divulgar e levantar questões relevantes à causa LGBT e de Direitos Humanos.
Beijos prá quem gosta... FUI

Profissional do Sexo não tem sentimentos?

Ontem a noite recebi o contato de um rapaz, muito educado, dizendo que visitou o blog, que achou legal, etc... Mas que gostaria de que eu o “indicasse” uma trans já operada, que era seu sonho namorar alguém assim. Mas, porém (sempre tem um) que desejava alguém que não tivesse um passado de prostituição, pois desejava um relacionamento sério!

Assim como ele busquei ser educada na resposta, dizendo não ser a finalidade desse blog ser uma agência de namoros nem promover a aproximação de pessoas com fins amorosos ou sexuais.

Até porque isso já implicaria em outras instâncias como até mesmo a segurança de pessoas por mim aproximadas, etc.

Observei também em minha resposta, a necessidade de ele rever seu olhar sobre as pessoas que se prostituem, pois são seres humanos, tem sentimentos e por (muitas) vezes até relacionamentos sérios e verdadeiros, além de duradouros.

Sem mais, ele desculpou-se dizendo não ter desejado parecer preconceituoso e despediu-se.

Fiquei pensando por horas:

Porque as pessoas, em primeiro lugar, associam a travesti (e a transexual por conseqüência) com a prostituição? Porque seria tão deprecioso e grave alguém ter no passado sido profissional do sexo? Porque essa “mancha” seria eterna e tornaria essa pessoa menos capacitada a dar e receber amor, ser fiel e cuidadora da pessoa amada? Uma pessoa assim não seria mais um ser humano? Ah, ta!

Então, creio que quem na verdade não tem condições de amar de verdade seria quem desprezasse alguém pelo que foi, ou pela profissão que exerce, não por seu interior e valores pessoais. Conheço prostitutas que são mães valorosas e amorosas, boas donas de casa e esposas.

Tal quase inevitável associação entre as TT’s e a prostituição ficou explicita também em outra ocasião, quando estava eu na Associação de Travestis e Transexuais na qual trabalhava e era secretária-geral, e um homem ligou querendo saber se tinha algum site na Internet onde ele pudesse ver as fotos das meninas para contratar o programa. A tendente respondendo com uma negativa, ele pergunta se não teria nenhuma ali naquele momento para atendê-lo. Mesmo com as explicações de que ali funcionava uma associação e não uma agência, ele insistia no equivoco, e por fim, entendeu e desistiu contrariado...

É também comum, ao transitarmos pelas ruas, parques e shoppings, sermos abordadas com a pergunta direta de “quanto é o programa”, e isso geralmente é muito constrangedor. Pois parece que somos apenas isso, sexo e prostituição, e não temos direito á lazer, caminhadas e passeios sem interrupções ou abordagens constrangedoras.

Certa vez, quando ainda morava com minha mãe, a vizinha da frente era prostituta, e a noite, quando saia para trabalhar, deixava sua filha na casa de uma irmã e a casa ficava só. Então resolveu instalar um sistema de alarme, devido aos casos de roubos locais.

Ouvi uns gritos e fui em sua casa ver o que havia acontecido. Ela contou-me que o rapaz perguntou-lhe a razão do alarme, pois a casa era toda cercada de muros e grades, então ela revelou que trabalhava a noite, etc... Ele rapidamente propôs que se ela fizesse um programa com ele, instalaria o alarme de graça!

Ela ficou revoltada e gritava a ele, que “a noite, com suas roupas de trabalho e em seu local de trabalho, ele era uma profissional do sexo, mas naquele momento, em sua casa e com sua filha ela era apenas uma mãe. E o botou pra correr.

Senti tanto orgulho daquela atitude da minha amiga e vizinha, que relatei o acontecido para tantas pessoas quanto eu tivesse a oportunidade. Pois eu também, por não ter nenhum contato com a prostituição até então, e nem com pessoas que se prostituíam, tinha pré-conceitos e julgava essas como pessoas vulgares, promiscuas e sem “valores” morais.

Hoje, depois de ter passado pela prostituição, ter conhecido um universo de pessoas e histórias, sei bem que a realidade é outra em muitos casos. E que devemos olhar (ou tentar) além da figura que dança na boate, que batalha o dia a dia nas boates ou que aguarda por clientes nas esquinas. Por detrás daquelas quase-roupas de tão curtas em alguns casos, de tanta maquiagem, de alguns relatos negativos vinculados na mídia em geral, muitas vezes tem meninas, meninos, mães, esposas, esperanças, sonhos, VIDAS e histórias a serem conhecidas e respeitadas. Nem todo mundo chega na prostituição por desejo voluntário, sonho de infância ou para ter uma “vida fácil”, e eu sei bem disso devido às minhas próprias vivências e as marcas deixadas pela prostituição! E isso sim, de repente poderia trazer algum problema em relações sentimentais no futuro, dependendo da estrutura emocional e psicológica da pessoa que foi profissional do sexo.

Como disse em um post mais antigo, fiquei mais endurecida após ter passado pela prostituição (o que não diminuiu minha capacidade de amar), era algo que realmente eu JAMAIS gostaria de ter passado, que trouxe benefícios sim, mas as marcas serão difíceis de apagar. Mas esta sou eu, e expresso somente os meus sentimentos, pois tenho ciência de que algumas pessoas curtem e desejam permanecer na prostituição até se aposentar. Como uma senhora que tive o máximo prazer e satisfação de conhecer em um congresso, Gabriela Leite. Orgulhosa de ser (ou ter sido) puta. E além, de ser uma MULHER normal, mãe, avó, cidadã. Fascina vê-la com uma expressão meiga e suave tricotando ou fazendo algum outro trabalho manual. E ouvir suas histórias é um privilégio que ainda desejo ter novamente, pois por alguns minutos, tive orgulho de ser puta!!!


















Bruna Surfistinha

Assisti ao filme baseado na história de Raquel, uma menina que pouco antes de completar dezoito anos, para fugir de uma realidade que não percebia como sua, foge de casa e procura na prostituição respostas para quem realmente é e pode ser. Começa assim a história de Bruna Surfistinha.
O filme aborda os mais diversos angulos da prostituição e da vida e cotidiano de uma profissional do sexo; sexo, site, multiplicidade e diversidade dos clientes e situações por eles criadas, cafetinagem, multas das cafetinas, convivencia com as demais meninas (colegas), drogas, o auge, o marasmo, a necessidade de mudar, a dificuldade de encontrar e reconhecer amizades verdadeiras nesse meio, etc...
Apareçe bem explícito nesse filme, aliás, esta característica do "auge" de quando se é novidade, e o "marasmo" depois de ficar já manjada e conhecida pois tem muitos clientes, quase todos, que gostam de variar. E depois, a oferta no mercado está cada vez maior... e mais jovem!
E é justamente isso que leva algumas meninas para o mundo das drogas... Algumas o auge, e outras o marasmo e a penação. É dificil trabalhar isso tudo e a vida social e familiar ainda por cima.
Bruna é exemplo (mau) disso pelo fato de que quando iniciou, fazia pelo tezão que despertava nos homens, para ser desejada, por fetiche! Disse não interessar quanto ganharia. Depois não fazia por menos de trezentos, e por fim foi parar no "vintão".
Conhecia essa história como Cristiane F. mas tem muitas Cristianes, Brunas, Capitús e mais milhões sem-nomes por ai. Perdendo-se na busca de um encontro consigo mesma. Procurando de cliente em cliente o principe, o deus, o amante, o amigo, o algóz, o salário, o marido, o protagonista de sua história.
Não teve muito glamour, felizmente, na história desenhada no filme. Pois no dicionário desta vida de profissional do sexo não existe essa palavra. Nessa página consta a palavra ilusão. Não vendemos o corpo, vendemos fantasias e ilusão, e as mais iludidas somos nós, ao pensar valer a pena.
Receber um desconheçido que te paga para voce pisar sobre ele de salto alto, bater na cara dele com o zíper da bota, fazer xixi na cara dele, colocar cocô em um pires e oferecer como uma doce sobremesa e ainda ter estômago para ve-lo devorando e lambuzando-se, fingir que ele a está estuprando, deixa-lo chupar seus pés, etc... E depois, tentamos rir da situação, pensando serem eles os estúpidos, pois pagam para isso... Mas e depois? Ao passar dos anos? O efeito psicológico por vezes é devastador; pelo menos foi assim comigo! Lembrar de cada homem horroroso que tive de seduzir, fingir, cheiro de cigarro, bebida, chulé, palavras rudes e até agressões. Além daqueles que querem te obrigar a fazer algo que fere seus conceitos e sua alma. Não sei o que é pior disso tudo, sei apenas que o conjunto dessas coisas é que pode tornar uma pessoa doce, pura e sincera em alguém totalmente diferente...
Hoje, mesmo após ter saido da prostituição e ter me afastado deste meio, ainda tenho uma certa dificuldade em acreditar na sinceridade das pessoas, e até em demosntrar sentimentos. Coisas comuns e espontâneas parece que tomam um vulto diferente e distorcido. É complicado.
Dai vai depender além da estrutura emocional de cada uma, do caráter também. E este último é que geralmente define o quanto essas mudanças poderão interferir e ter consequencias no futuro.

Principe Encantado Moderno.

Olá queridos leitores e leitoras deste diário, hoje escrevo sobre este monumento à beleza e objeto dos sonhos de muitas meninas Brasil à fora, o BBB Wesley Schunk.
O menino chegou de surpresa ao programa, quando o jogo já estava rolando e já tinha até os galãs escolhidos pela mulherada (ex. Cristiano e Rodrigão) e quando vejo entra esse loiro lindo, alto forte e super querido... Haja hormônios!!!
É a visão do principe moderno... O homem perfeito e ideal. Lindo, alto, forte e super querido. Dizem os amigos dele que é meio "galinha"  e "pegador", mas esta parte não entrará para esta estória.
de chegada ele e Maria aproximaram-se e cheguei a pensar que rolaria algo, e com a volta de maumau ao programa não rolou como imaginei. E mesmo assim o menino não saiu ciscando; esperou por seo objeto de desejo estar pronta para ele... E maria finalmente rendeu-se aos encantos de Wesley.
Vibrei muito quando saiu o primeiro beijo, que aliás, deixou-me com água na boca tamanha a vontade que esses dois estavam por este momento!
Agora torço muito para que eles continuem juntos, adoro ve-los trocando olhares e ele sempre meigo e querido com todos, apesar do recalque de alguns para com ele. Não é atoa a aceitação que o loiro tem do público, que no ultimo paredão, o Maumau foi eliminado com mais de 60% e Wesley teve apenas 4% dos votos. E nem engoliu o nervosismo de ter passado pelo emparedamento e já está novamente na berlinda.
mas é certo que o Principe Wesley ficará em seu trono, e poderemos ve-lo todas as noites e sonhar com o Conto de Fadas perfeito, onde um principe lindo, loiro e forte, salva a princesa da posição humilhante de ser capacho do montro Mau. E eles serão felizes para sempre, ou até o final do programa!
Sou uma mulher cheia de desejos... E uma menina cheia de sonhos. Sou
uma mulher que luta... E uma menina que chora. Uma mulher que briga... e
uma menina que brinca. Sou uma mulher correta... E uma menina travessa.
Sou simplesmente eu mesma!!!! Nos erros e nos acertos, às vezes
careta... Às vezes moderna. Mas sempre eu!!!!Se for me arrepender... Que
seja das coisas que eu não fiz... Dos sentimentos que eu escondi, das
loucuras que não cometi, dos beijos e abraços que não dei, do tempo que
eu perdi, dos amores que não vivi, das verdades que não falei, das
noites em que chorei das mentiras que acreditei, das declarações que não
fiz, das vezes que eu me enganei das perguntas que eu não fiz, das
respostas que não dei, das mágoas que eu senti, dos sonhos que não
realizei, das oportunidades que desperdicei, das alegrias  que eu não
vivi, e principalmente das coisas que não tentei!!! Acredite em você
mesmo, pois é só você que pode se auto julgar. Ouse, arrisque e nunca se
arrependa.
Não desista jamais e saiba valorizar quem te ama, esses sim merecem seu respeito.
Quanto ao resto, bom, ninguém nunca precisou de restos para ser feliz!!!

Lea T, o Conto sem Fadas.

Gente, como eu gostei de ver a entrevista de Lea T ao Fantástico neste domingo (20/02/11).
Lea contou relatos sobre sua infancia, adolecencia e até da fase adulta de uma maneira que
jamais havia visto uma transexual fazer; com uma naturalidade e sem enfeitar as palavras ou situações, Lea abordou todos os assuntos que norteiam a transexualidade com serenidade, deixando transparecer
a realidade; SER TRANSEXUAL NÃO  É GLAMOUR (como falei à alguns posts atrás), não existe vantagem alguma em ser transexual, e apesar de sermos pessoas normais (como todos) somos cobradas e discriminadas o tempo todo. O fato é que a Top Model disse nesta entrevista coisas que até mesmo eu, por muitas vezes tive vontade de dizer em algumas das entrevistas que dei, mas não tive coragem, pelo fato de ser eu uma militante, formadora de opinião e iria possivelmente assim influenciar negativamente a outras pessoas. Mas esta é a verdade e a realidade de muitas senão da maioria das transexuais.



Não somos felizes, não temos tempo para isso. Pois como disse Lea, são os conflitos pessoais, a preocupação em tornar-se feminina, cirurgias pláticas (e as que não tem condições?), luta contra os pêlos do corpo, a dificuldade muitas vezes de acessar o programa do Processo Transexualizador, familia, escola, mercado de trabalho (fugir da prostituição), mudar o nome oficial nos documentos, etc...
Lea utilizou ainda de uma frase que uso e meu marido até me censura: "Não sou feliz, tenho é momentos de felicidade"! Isso define o porque de tantos casos de depressão em transexuais pré e pós- operatório.
É alarmante o número de transexuais que sofrem de depressão e problemas semelhantes, um dia postarei especificamente sobre este assunto.
A própria modelo contou que para fugir da prostituição, lugar onde a sociedade "empurra" geralmente as transexuais e travestis, ligou chorando para um amigo e ele a ajudou a ingressar no mundo das passarelas.

[Foi o momento de maior emoção para a moça e para mim, pois representa um pedido de socorro que já fiz e me cansei de esperar por respostas...]

Tenho como certo que a partir deste desabafo, sem estrelismo e sem aquele "conto de fadas" comum à questão, explorando de forma respeitosa e realista a transexualidade, algumas pessoas sentiram-se tocadas, sensibilizadas, identificadas, envergonhadas, apaixonadas, chocadas ou orgulhosas com este exemplo de vida e dignidade de uma transexual. mas o mais importante é que a matéria leve as pessoas a refletirem. A respeitar o ser humano, e não simplismente julgar e condenar sem saber que por detrás tem toda uma história, geralmente construida com muito sofrimento e lutas diárias para chegar até alí, à sua frente. Ninguém é juiz de ninguém. Cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é. Se eu tivesse o direito de escolha, certamente não teria escolhido ser transexual e sofrer tudo o que sofri e passar por tantas situações que passei e fiz minha familia, (que não escolheu ter uma transexual em seu seio) passar.

Enfim, agora que já assinei embaixo de tudo que a Lea T disse, pesquisarei mais sobre a moça na rede para de repente elaborar um post sobre a transexualidade em cada fase da vida de Lea, pois vi que ela lidou super bem com a questão, pois não usou o clichê que sempre se sentiu uma menininha, e disse que sentia-se um menino, percebia-se como um menino na idade de menino, passou pela fase de "se montar" quando foi travesti (segundo ela), e quando procurou auxilio profissional para entender o que acontecia consigo, pois não desejava namorar e nem ficar com meninos, pois sendo "travesti" pareceria uma "relação gay", então deseja realizar a cirurgia de readequação para adequar seu sexo de nascimento a sua cabeça e alma, agora entendidas como femininas.
Realmente uma história respeitável, uma menina Fantástica dando um Show da Vida!

Um(a) transexual deve revelar sua condição?

A participação de uma transexual (operada) em um reality show fez-me refletir sobre uma coisa que nunca tinha pensado... Uma pessoa transexual deve contar sobre sua transexualidade sempre?
Pois em toda a mídia espera-se e cobra-se este posicionamento por parte da moça em questão. Alguns dizendo que ela deveria ter contado no 1º dia, outros mais sensacionalistas já tentando "vender" até um possivel futuro processo por parte de alguém que se envolvesse com ela no programa sem saber de sua condição de transexual.
Mas após todos esses dias pensando (após mudar de opinião tres vezes) penso que ela fez bem em não ter revelado sua intimidade. Pois seria como eu chegar em uma ambiente de trabalho já avisando: "Sou uma transexual; homens, afastem-se senão serão taxados de gays, etc"...
Ou então "Tenho o virus da AIDS, Sou estéril, tenho câncer ou sei lá o que mais que na cabeça pequena de algumas pessoas poderia gerar exclusão e até mesmo a descriminação naquele local. Ser tratada como diferente. E por parte de todos, homens e mulheres, o que seria pior.
Então penso, afinal, que Ariadna deve sim, contar sobre sua readequação sexual se acaso envolver-se mais profundamente com alguém, antes de iniciar a relação. Mas como uma confissão, uma intimidade mesmo (que é) e que só a ela e ao seu parceiro interessam!
Quando começei a namorar meui marido, ele inventou à sua familia que eu já havia me operada, pois faltavam seis meses para minha cirurgia. Eu desmenti. ao me perguntarem disse que não, e o que menos interessaria a eles seria o que eu teria entre as pernas. Que isso somente a mim e a ela interessava.
Que o importante para eles seria se eu o amasse de verdade e desejasse faze-lo feliz... E isso já fazem dez anos!!! Eu sempre contei a verdade, mas é uma escolha pessoal, que deve ser observada e respeitada como de foro intimo!!!
Por Cristyane Oliveira

Deixem-nos Viver!

É com tristeza que escrevo estas linhas. Trata-se de um post referente ao ato máximo da Tansfobia, ASSASSINATO! Pois em vários estados do Brasil, ao longo deste ano, e desta década em geral, perdemos muitas companheiras, amigas, colegas ou simplesmente conhecidas travestis e transexuais, vitimas de assassinato.
Em Curitiba, este ano foi marcado pela morte cruel detrans, principalmente agora, no ultimo semestre. Só em dezembro, duas pessoas (travestis e transexuais) foram mortas e tres hospitalizadas, vitimas de um atentado em um bar no centro da cidade (Gato Preto).
E este foi o segundo caso do mes, pois o primeiro não cito por falta de informações...
Partilho da tristeza de minhas amigas Curitibanas. Conversei com algumas e o sentimento comum é o de desproteção, impunidade e medo.
Não sei bem como está sendo a articulação dos movimentos sociais (principalmente LGBT) sobre esta questão, mas buscarei informações e adicionarei ao post.
Sempre tive (e tenho) Curitiba como um bom lugar para se viver. Uma cidade limpa, moderna, linda e tolerante... Penso que estas atitudes e monstruosidades devem estar sendo praticadas por um pequeno grupo de seres que não podem ser classificados como humanos e nem gente. não sabemos ainda o que teria desencadeado essas agressões e mortes no municipio e no estado.
Sei apenas que a noite de 21 de dezembro de 2010 ficou marcada como uma noite de horror para a comunidade trans local e de todo o Brasil.
Eduarda Rezende e Mirella tiveram seus sonhos de Natal e seus projetos para 2011 ceifados, vitimas da intolerância, da covardia e da impunidade que diz "Quem mata travesti, livra a sociedade"! "...Se mataram era porque certamente deviam algo", enfim, colocam-nos sempre no papel de vilãs; nunca no papel da filha amada que não voltará para casa para a ceia de Natal!!!

Dia Mundial dos Direitos Humanos

Nesta data comemora-se (?)  o Dia dos Direitos Humanos, da luta por eles, na verdade. Pois todo dia deveria ser de direitos humanos GARANTIDOS E ASSEGUGADOS. De cidadania e democracia plena e igualdade sem distinção de raça, credo, orientação sexual, fisica, etc...
Mas como sabemos ainda hoje direitos básicos e até mesmo direitos natos da pessoa humana como citado no texto abaixo, são barbaramente ceifados por montros intolerantes que escondem-se sob fardas, denominações religiosas, seitas, cabeças raspadas, colarinhos brancos, imunidade parlamentar, ou até mesmo de uma forma qualquer de mídia (como formador de opinião) para semear o ódia e a intolerância contra os que julgam ser parte de uma "minoria anormal", de "lixo da sociedade".
O direito de amar, de SER, de viver, de ir e vir, de frequentar a escola, faculdade, de trabalhar e ocupar todos os espaços sociais, por vezes torna-se inviável para algumas pessoas que façam parte destas populações.
Direitos Humanos servem para todos, até mesmo para estes "montros" criados pela geração passada, e pelos "monstrinhos" que espero ainda possam enxergar que realmente o mundo é melhor com HUMANIDADE!

Exemplos ou Identificação?

Já tem algum tempo que acompanhei na televisão a Minissérie Maysa - Quando Fala o Coração. Mas ainda hoje me reconheço (e muito) nesta magnifica e poderosa personalidade brasileira.
Não conhecia sua história. De suas músicas apenas Meu Mundo Caiu, mas ao conhece-la no primeiro capitulo, apresentada por seu Filho Jaime Monjardim e interpretada lindamente por Larissa Maciel, fiquei fascinada! Não pude perder um só capitulo, e até hoje revivo os principais momentos no YouTube, tanta a identificação e admiração pelo mito Maysa!
Até então, minha Minissérie preferida havia sido Hilda Furacão, que ilustrava a vida da mineira Hilda, menina de familia rica e influente da cidade, que desiste do casamento em cima do laço e muda-se para a Zona Boêmia, vivendo a partir dai, as mais inusitadas e inesperadas situações.
E dia desses, assistindo a um programa ou lendo à um jornal (agora não lembro), vi uma critica referindo aos exemplos mostrados e seguidos, e de seus "IBOPES". Que personalidades que foram importantes para a história, ou que talvez contribuiram para avanços e conquistas, eram desconhecidas e não tinham interesse por parte de cineastas, TV e publico; enquanto que pessoas como o Músico Cazuza (cita a matéria), que tivera uma vida totalmente desregrada, por álcool, drogas, sexo sem prevenção, desrespeito aos pais e às leis etc, era fantasticamente conhecida, virava filme e exemplo para a garotada (herói).
Eu, particularmente não partilho deste pensamento, não creio que sejam (ou sirvam) como exemplo ou apologia biografias e filmes sobre a vida de personalidades assim. Até porque, retrata também as dores e resultados de cada ato por eles cometido. Deve, acredito, criar sim uma identificação em algumas pessoas, e daí a admiração, por terem sido pessoas transgressoras, autenticas e revolucionárias.  
Quem dera tivessemos hoje uma Maysa, com seu talento, temperamento e comportamento. Uma mulher de fibra e personalidade, que derrubou tabús e mostrou que o papel da mulher na sociedade não é somente aquele que ela ocupa, mas pode ser também aquele que ela quiser!
Por Cristyane Oliveira

Satiny Miranda

Não bastasse ser linda, a pele branca de neve.
Quando na rua desfila, desafia; nas nenhum se atreve.
Olhos, cabelos, perfume, tudo estratégicamente alinhado.
É Diva, é Deusa é Musa, é tudo que tinha sonhado.
Satiny Miranda, o nome, o Mito, o sonho sonhado.
Satiny Miranda sinonimo, de sonho realizado.
Foi tudo que quiz nesta vida, a menos que esteja enganada.
Satiny Miranda a pessoa, por poucos decifrada.
Foi filha, amiga, vizinha. Aluna, colega e amante.
Foi forte, foi fraca e prá sempre estrela brilhante.
Amou, desejou, foi em frente. Teve milhões à seus pés.
Foi Ela, foi puta e foi santa. Foi TUDO, foi homem e mulher.
Satiny, lembrança constante, gritos, risos, buzina.
Shopping, escândalo e flashes, seu show nunca termina!
Tem também as suas frazes, menina, que boba ensina.
"Amiga não biga" diz ela, minha ira foi prá conchinchina!
Perdoa, criança, menina. Não te entendemos...
Na verdade nem deu tempo; cedo te perdemos.
Chegou, causou, fez sucesso! Deu o recado e partiu.
Foi desejada por muitos. Só não quiz quem não viu.
Hoje choramos a falta. A dor parece mais forte.
Um ano de sua ausência, pois não acredito na morte.
Penso no ciclo da vida, pessoas chegando e partindo.
E ela sentada na nuvem, olhando meu choro, sorrindo!!!
Aceite este meu carinho amiga, que coloquei nestas palavras
todo o meu carinho... Te amo e sinto tua falta.
Perdoa minhas falhas contigo e fica em PAZ.
Cristyane Oliveira
(mas para ti, sempre Bocetuda)

Vivendo e aprendendo

As mudanças geralmente não são fáceis para ninguém... Sei que já falei sobre este assunto aqui no blog, mas sempre será um assunto recorrente, pois faz parte de nossas vidas.
É bom mudar (quase sempre), geralmente tiramos alguma lição ou aprendizado com isso, mesmo que somente depois de muito tempo nos demos conta disso!
Seja mudar de idéia, estilo, casa, escola, trabalho, namorado, sexo, cidade, país, religião, etc... Sempre tem algumas barreiras, alguns transtornos ou algumas perdas involuntárias. E muitas vezes, nestas mudanças, temos de abrir mão de alguma coisa, para termos outra que desejamos. Não é justo, mas por muitas vezes nos encontramos nesta situação; Mudei de casa recentemente, e tive muitas dificuldades e transtornos tanto em adaptação, quanto em localizar as coisas, alguns objetos que quebraram durante o transporte, e outros que nem mais encontrei rsrsrsrs.
mas, como disse antes, temos que fazer escolhas, e nelas abrir mão de algo em favor desta escolha... Temos sim, é que aprender a tirar proveito dela como aprendizagem, para a vida.
Não é fácil mudar de escola, deixando para trás todos os amigos, conquistados em anos de convivio, para enfrentar um lugar desconhecido, e fazer-nos conhecer pela mesma identidade da escola anterior, encontrar um grupo com idéias parecidas e tentar fazer parte ( e quem sabe, dali tirar um ou dois amigos de verdade). Mas isso é importante, pois representa um exercicio que faremos durante a vida inteira.
Falarei ainda muito sobre este tema, pois mudamos e revemos muitos conceitos a cada dia; não querer mudar é que é "Falta de inteligência"... Cristyane Oliveira

Coisas que uma Transexual precisa para ser feliz:


Em minha vida, por inumeras vezes me peguei (e me pego) pensando no que me falta para


ser plenamente feliz. Parece que sempre posso alcançar mais, e com isso ser ainda mais feliz!

Dai, nesses momentos é que surge esse pensamento; o que preciso, ou o que falta para que eu seja COMPLETAMENTE FELIZ?

Vamos checar: Um lar feliz, construido com amor: OK;

Uma familia (base de tudo) amorosa, presente e digna:Ok;

Casa (alugada, mas não importa), marido respeitoso, fiel e trabalhador (que eu amo e me ama também),cachorros (que para mim valem como filhos, Beleza (que ganhei de graça do Senhor e de minha mãe e pai) o suficiente para me amar, Pessoas (amigos queridos) que gostam de mim,


Saúde (o primeiro presente de Deus, depois de minha vida) para perseguir e conquistar meus sonhos e objetivos um a um... OK!!!

Bem mas agora, colocando no papel, vejo que estas são prioridades de todo e qualquer ser humano para a felicidade. Não somente das (os) transexuais.


E se estas são nessecidades comuns entre os seras humanos, sou (e somos) seres humanos!


Então, de onde vem sse preconceito todo? Esse estigma de que somos "diferentes", somente para nos desqualificar! Então, em um raciocinio rápido, E PESSOAL, penso que o que falta na verdade, é sermos vistas e vistos como seres humanos comuns. Poder ir a uma lanchonete, sorveteria, cinema, prédio de amigos, sei lá, todo lugar sem se preocupar com o que pensarão em seu julgamento e condenação pré estabelecidos. Não precisar ficar horas em frente ao espelho, pois as vezes nem é para nós ou para o marido ou namorado, é para os outros, para "reduzir a pena"... Já aprendi nesses trinta e poucos anos de vida, a trabalhar com isso. Precisei aprender.


Mas ainda assim tem algumas situações e momentos da vida em que reflito sobre isso.


Sobre o preço que as e os transexuais do passado pagaram, e nós da atualidade pagamos para que um dia, quem sabe, esta CIDADANIA seja plena e IGUAL para todos.


Cristyane Oliveira

Transfobia


Você sabe o que é a TRANSFOBIA?

Ela acontece, e se caracteriza sempre que uma travesti ou uma transexual tem um direito negado, é constrangida, excluída, agredida ou ofendida por sua orientação sexual; por ser travesti ou transexual.

Pode acontecer na familia, na escola, no prédio onde moramos, no circulo de amizades, no trabalho, nos serviços públicos, saúde, etc...

O que não pode acontecer,é deixarmos assim, como se fosse normal e comum; pois temos direitos e deveres como todo cidadão. Somos regidos por uma lei que nos diz que temos de respeitar o próximo, então temos também o direito de sermos respeitadas...

Sempre que acontecer com você alguma situação de criscriminação, constrangimento ou intimidação por sua orientação sexual, tome nota do máximo de detalhes possíveis do ocorrido (data,hora, nome do agressor, nome de alguma testemunha, se havia alguma câmera filmando no momento), vá a uma delegacia e façaum Boletim de Ocorrência, e dependendo da gravidade do caso, leve também à Promotoria (Ministério Público). Se o acontecido for com alguém próximo de você (ou não) aconselhe a seguir os mesos passos.

Hoje,infelizmente, no Brasil ainda não temos uma legislação especifica para punir crimes contra LGBT's, mas em alguns estados e municipios existem leis orgânicas locais. Porto Alegre tem o Artigo 150 (pesquise no Google), que pune os crimes em estabelecimentos comerciais, até mesmo com a cassação do alvará de funcionamento.

E alguns outros estados tem suas conquistas também, mas sabemos da importância da aprovação da Lei contra a Homofobia (que comtemplaria toda a população LGBT), parq que todos tivessem seus direitos garantidos por lei.

Não aceite a TRANSFOBIA como realidade na sua vida; denuncie! Faça valer seus direitos!!!

Existem pré-requisitos para a transexualidade?


Ao participar do grupo de acompanhamento do Hospital de Clinicas de Porto Alegre por dois anos e meio, e até mesmo com o convivio com pessoas do meio (ou não), notei que sempre (ou quase) espera-se comportamentos, atitudes e até estereótipos comuns no imaginário popular...

Aquela coisa do "feito em série", sabe??? Parece que as pessoas tem que serem exatamente iguais, para ganhar aquele "carimbo" que lhes torna aptas à cirurgia, ou que justifica as que já fizeram.

Não sei quais são os critérios e conceitos que são utilizados pelas equipes multidisciplinares para identificar uma personalidade e um comportamento transexual?

Será que transexual é somente aquela pessoa que é perfeita na imagem do sexo desejado, fala baixinho, usa roupas discretas, não se prostitui, e até mantém-se geralmente virgem e casta até após a cirurgia, pela questão da rejeição da genitália?

Por que tantos tabús acerca de uma questão que é sabidamente interna?

Porque os critérios que ouví até hoje utilizados, são extremamente técnicos, de literatura. E geralmente, acompanhando outras trans, sei que não expressa a realidade e o cotidiano da maioria das transexuais. Não contempla suas reais nessecidades, e não respeita suas especificidades.

Já fui criticada por usar saia curta, maquiagem forte, silicone no corpo, ir na Parada Gay, usar peruca, me prostituir, ir a boate gay, entre outras coisas (inclusive por profissionais do HCPA).

Não é esta uma forma de discriminação? Não aceitar que pessoas podem ser diferentes mesmo sendo "iguais"? Querendo torna-las um PADRÃO estereotipado?

Mesmo no meio de travestis e transexuais existe este tipo de preconceito; se a transexual se porta e reconhece como mulher, É Close! Se tem jeito "afetado", dizem que é muito "travecão",

-"Por que é que se operou, então"???

Então somos sempre julgadas e condenadas de qualquer forma. Pelo menos, pelas travestis não soa tão agressivo, por ser de alguém tão próximo.

Mas de pessoas em geral, da sociedade, que nada sabe e não vivencia nossas questões pessoais, não dá para aceitar. Pois não julgo o que não conheço!

Não sou, e nunca quiz ser um exemplo como transexual, quero sim, ser uma pessoa exemplar!

A maioria das transexuais não se vê em mim, algumas não concordam com meus pensamentos.

Mas apenas sou como sou, sem me importar nem me preocupar com comentários e julgamentos.

Como diz aquele ditado: Somente somos nós mesmos quando estamos sozinhos!

Então esqueço que sempre tem alguém em volta, e SOU EU MESMA!

Os anos passam, e o "verdadeiro Eu" se reforça!

Não sou uma pessoa só. não quero ser uma pessoa só! Me permito ser várias personagens, com várias aparências e cada um com seu astral e personalidade. Mas quanto à carater, tenho um só.
Sou o que sempre fui. Pago um alto preço por ser que sou, mas sempre vale à pena!
Pois prefiro sempre ser quem sou, ser sincera e verdadeira acima de tudo, e ter a meu lado quem realmente importa, vale a pena e me aceita como sou de verdade, de que ter de fingir que estou de acordo com alguém ou situação somente pela "obrigação do convivio, ou para ter beneficios futuros.
Algums pensam que sou grosseira, pois sempre digo o que penso, sem rodeios. Poucos me admiram, pois dizem que "mando na lata"! Mas a verdade é que não creio que seja positivo ficar enfeitando as palavras, se a realidade não for bela!
Então, digo e expresso as coisas com as palavras que as vejo ou interpreto, só isso!!!
Já perdi e perco ainda muito por ser assim, mas não quero mudar, seria como trair quem sempre fui. Compactuar com maracutaias, esconder a verdade de um amigo, trair um amor, fingir gostar de quem não suporto, me apropriar do que não me pertence, são coisas que não aceito!!!
Sei que algumas vezes magoei pessoas de que gostei muito, algumas ainda gosto... Mas eu me magoaria mesmo seria com mentiras e ilusões. Se pudesse voltar atrás, onde começou a moldar esse meu caráter tão "oito ou oitenta", eu com certeza iria moldá-lo um pouco mais flexível.
Me vejo muito na imagem e no perfil (negativos) do Clodovil, que aliás nasceu no dia 5 de junho, igual a mim. O que talvez explique um temperamento tão dificil e duro.
Mas por outro lado, quando penso em como sou e sinto um pouco de vergonha de mim, olho para os lados e vejo algumas pessoas próximas passando a mão e dando tapinhas no ombro de alguém, e ao virar as costas, difama-la e torna-la um monstro, ou coisa parecida. Isso sim é vergonhoso.
Pessoas frustradas vivendo uma situação ou um convivio, e não terem coragem de virar a situação, se mostrar sua insatisfação, se impor. As vezes é necessário "subir na mesa"!!!
Já subi muito, rsrsrsrsrsrsrs, e quer saber? Não me arrependo! Pois até hoje, sempre que precisei tomar uma atitude mais drástica e dar um escândalo, tive orgulho de mim. E depois de uma análise (as vezes faço) sempre vi que era a hora certa, pois se não deichamos claros os limites, não podemos também reclamar quando são ultrapassados.
E não estou me referindo a dar escandalos em lugares publicos, subir em mesas de verdade, gente; pois isso só reforça os estigmas e preconceitos. Estou falando sim em se impor, na intensidade e situação em que for necessária!!!
Pode ser que um dia mude minha opinião e meu jeito de ver as coisas, afinal, estamos em constante mutação. Mas creio ser dificil.... Para mudar é preciso a vontade! E para ter vontade, precisaria ver um mundo melhor. Mudar para ser apenas mais um "fantoche"; muito obrigada!

Por um mundo onde todas as pessoas tenham igual possilidades e acessos aos serviços, direitos e cidadania. Onde as palavras igualdade, respeito, direito e dignidade seja extensivo à todos...
Imagem retirada do Google, e postada por mim; uma mulher transexual, cidadã, e militante por uma sociedade onde não tenha mais espaço para a intolerância causada pelas mais diversas formas de preconceito!!! Só uma mensagem para aproveitar este momento de inspiração!!!

Pessoas Reais, ou Contos de Fadas???

Sempre procuro tratar do assunto Transexualidade, com os dois pés no chão, sem aquela visão fantasiosa de fazer a cirurgia e "virar mulher'.
Até porque esta intervenção é realizada por médicos, e não por um mágico, para fazer a "transformação", ou por um famoso ilusionista, para uma "ilusão de ótica", para convençer as pessoas de que agora somos sim mulheres. O que penso que sempre fomos!
Pois trata-se de uma readequação sexual, na genitália; mas a readequação social ainda é necessária, pois as transexuais que sofriam a transfobia no seu meio social em geral, certamente continuarão por sofrer as mesmas dores sociais depois de readequadas...
A ótica do "virei mulher" é até mesmo uma forma de exclusão e preconceito, pois só valeria para aquelas que já PASSAM POR MULHERES, despercebidas, que geralmente nem sabem o que é o preconceito e a descriminação, pois são belas e femininas.
E para isso nem precisa ser transexual, pois conheço muitas travestis que são muito mais femininas, belas e "perfeitas" de que algumas transexuais, inclusive na fala.
Dai entra a questão social, pois a travesti e a transexual que possui um maior poder aquisitivo, que pode fazer depilação a laser, colocação de próteses de silicone, etc, para tornar-se mais de encontro com aqueles padrões pré estabelecidos de beleza da mulher e torna-se mais parecida com uma mulher, e desta maneira contorna muitos dos problemas de descriminação e exclusão.Mas e aquela transexual que não tem condições finançeiras?
Ela tem acesso à cirurgia, pois é custeada pelo SUS, mas e o restante? E os pelos do rosto? Os seios? Esta também virou mulher? NAO; essa (e só essa) vai continuar sofrendo, sendo espancada, agredida e excluída!!!
Então EU NÃO ACEITEI VIRAR MULHER E TER IGUAIS SOFRENDO A TRANSFOBIA!!!Este é somente o meu pensamento. não falo neste momento, e nem falarei neste Blog pelo Movimento das Transexuais ou das Travestis. Afinal, estamos falando da vida e do dia-a-dia de Pessoas Reais, e não de Contos de Fadas, não é???