Mostrando postagens com marcador militância. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador militância. Mostrar todas as postagens

Os gays da Globo


Faz tempo que comentei com minha cunhada que em cada novela da Globo tem um gay... É “a bicha” das seis, das sete, e das oito.

É, em certo ponto positiva essa visibilidade, por mostrar em alguns casos avida real, de uma pessoa real. Sem estigmas, sem afetação e caricaturas. Em alguns casos, retratam a homossexualidade masculina com respeito e dignidade, sem conotação puramente sexual (promiscuidade e perversão) mas ainda vemos algumas pitadas de preconceito, mesmo que sutis, na construção de alguns personagens.

Ontem a noite, estava assistindo a novela das 21.30 e um rapazinho que era conhecido como gay, foi pego na cama com uma menina, e o fato não causou muito espanto em sua irmã, pois ela justificou que ‘ele é gay, sim, mas tem recaídas’. Já ele justifica que aquele bairro é ‘ruim de azaração gay’, e então ele pegou o que tinha disponível, ou algo assim.

Não assisto a essa novela, mas minha cunhada assiste (estávamos em sua casa, e ela me explicou que ele é gay, e se relacionará com outro gay da mesma atração). Não entendo porque em cada novela tem que ter pelo menos um gay, pois a emissora deixa claro o preconceito quando não autoriza cenas de beijo gay, por exemplo. Alegam que a sociedade não esta preparada para cenas como essas de dois homens se beijando, que seria uma agressão (eu também até penso que não seria apropriado), mas a demagogia é escancarada, pois não foi explicitado o relacionamento homossexual mostrando beijo gay, mesmo tendo um ‘point gay’, mas no mesmo local foi mostrada uma agressão a um jovem homossexual, que acabou falecendo após ser espancado covardemente, por um grupo de homofóbicos. Uma cena chocante, revoltante, até.

Então a pergunta foi essa, e foi inevitável; ‘beijo gay choca, é coisa de outro mundo. Mas agressão é tão comum assim? Ninguém mais se incomoda, sente-se chocado com ela? Após assistir uma cena de espancamento, de assassinato estimulado por preconceito homofóbico, dorme-se tranquilamente? E as mães de jovens gays, preferem ver cenas explicitando amor, ou ódio? E você?

Muitas perguntas me vêm na cabeça, até hoje, e todo mundo na época aplaudindo a iniciativa do autor por ter um quiosque gay na novela, visibilidade, etc... Mas uma questão que eu levantei (e que não vi ninguém mais levantar) e as travestis? No Rio não tem?  Todo dia eu perguntava para o meu marido quando apareceria uma trava, toda linda, ‘riquiiiiiissima’, toda feita e glamorosa! Iria parar o quiosque, mas até o final da novela, não tive essa satisfação, pensei que no ultimo capítulo a dona do estabelecimento receberia representações LGBT, com travestis, transexuais, lésbicas e, claro, gays.

A única vez que a dona do quiosque falou em travestis, ainda falou ‘eles’... Mas tudo bem, afinal para mim a atração principal da novela foi a Nathalie L’amour, e seu impagável irmão, o cabeça (não lembro o seu nome, mas ainda o escuto dizendo Pô, Bibi). Essa Globo... agora me lembro porque havia parado de assistir a suas novelas! Só mesmo as "Empreguetes" para me fazerem ter vontade de assistir, porque de hipocresia e demagogia, chega, né?!?

29 de Janeiro Dia da Visibilidade Trans

Dia 29 de janeiro é a data que marca nacionalmente a luta pela visibilidade, cidadania e dignidade de pessoas transexuais e travestis, e nesse ano, as atividades foram realisadas em conjunto com a agenda do Fórum Social Temático 2012. No dia 27, fomos para a Esquina Democrática, em busca dessa visibilidade...
Foi algos especial, realisado pela Igualdade/RS, ANTRA (Articulação Nacional de Travestis e Transexuais) e apoio fundamental de algumas entidades.
Ato na Esquina Democrática, na Rua da Praia com Borges de Medeiros...

O recado foi dado de uma maneira muito clara: Somos Seres Humanos...

Não pedimos que nos aceitem, EXIGIMOS que nos RESPEITEM!

BASTA! CHEGA DE TRANSFOBIA; chega de intolerância e discriminação!

Momento do Hino Nacional... todos que acompanhavam cantando junto, foi emocionante!

A anfitriã  Marcelly Malta, agradecendo às representações nacionais e às ativistas locais.

Todas se preparando para a "Foto Oficial" da intervenção de visibilidade trans 2012.

II Conferência Nacional LGBT

Acontecida entre 15 e 18 de dezembro de 2011 em Brasilia/DF a II Conferência Nacional de Politicas Publicas e Direitos Humanos de LGBT demonstrou o comprometimento do governo nacional de produzir e apoiar politicas afirmativas de direitos humanos, saude e cidadania à LGBTs, mesmo acontecendo tres anos após a primeira edição, que teve a promessa de ter uma segunda edição no ano seguinte (e também com a ausência da presidente Dilma, que pelo visto não quer seu nome ligado à luta por Direitos  LGBT).
E na ocasião, também houve espaço para uma interlocução e trocas de experiencias entre o as delegações presentes.
Fiz parte da coordenação da mesa do GT de Legislação e Direitos LGBT, onde construimos eixos com metas e ações para o enfrentamento à Homofobia, Lesbofobia e Transfobia.
Na agenda das transexuais, a principal preocupação é a de assegurar o acesso ao Processo transexualizador, mas retirar a Transexualidade do CID 10 (DESPATOLOGIZAÇÃO DA TRANSEXUALIDADE), assim commo garantir a retificação de registro civil (alteração do prenome) para travestis e transexuais, sem a nessecidade de cirurgia.

Algumas fotos da Conferência:
A chegada da delegação gaúcha no aeroporto de Brasilia...
O povo vaiando a Dilma, com o côro: -"Dilma, que papelão! Não se governa com religião"!!!
Carla Amaral, mulher transexual do PR, companheira (e amiga) antiga nessa luta...
A magnífica  (para mim sempre desembargadora) Maria Berenice Dias; que orgulho dela ser gaucha!
Deputado do P-sol, Jean Wyllys tem se mostrado um árduo defensor das questões LGBT.

II Conferência Estadual LGBT RS -Fotos-

 A linda transexual Luciana Rodrigues, que  marcou presença na abertura da II Conferencia Estadual LGBT.
 O vermelho desta bandeira foi tingido com o sangue de milhares de LGBT's que tiveram seus direitos negados, violados, foram agredidos, espancados ou até mesmo mortos, vitima de LGBTfobia.
 O coordenador da II Conferencia Estadual LGBT e Coordenador Estadual de Diversidade Sexual, Fábulo Nascimento Rosa.
  O grupo Outra Visão LGBT, que está de volta, após algum tempo!
 A Presidenta da ONG Igualdade RS-Associação De Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, Marcelly Malta.
Mesmo na hora da militância, também é hora de cultivar
a tradição, e hora do chimarrão.

II Conferência Estadual LGBT RS

A II Conferência Estadual LGBT/RS que aconteceu nos dias 21 e 22 de outubro, reuniu representantes da população LGBT de diversos municípios do estado, como Porto Alegre, Uruguaina, Cruz Alta, Quaraí, Canoas, Santa Maria, Guaíba, Novo Hamburgo, Tramandaí, Pelotas, Eldorado do Sul, São Leopoldo, Alvorada, Gravataí, entre outros. E teve como tema "Um RS sem Homo-Lesbo-Trans fobia".
Neste encontro, construimos as deliberações (criadas e aprovadas em cinco GTs e aprovadas em votação na  plenária final) que deverão tornar-se políticas públicas de Estado e não apenas de Governo. Além de encaminhamentos e propostas a serem apresentadas e aprimoradas na II Conferencia Nacional LGBT, à ser realizada em dezembro em Brasilia.

Para mim, os pontos altos do evento foram as falas da advogada e desembargadora aposentada, Dra. Maria Berenice Dias (foto), que explanou sobre os avanços na legislação para os LGBT's, principalmente para as uniões homoafetivas, com a aprovação da conversão da união estável em casamento.
a fala da professora UFRGS, Rosimeri Aquino, que retratou com exatidão a dificuldade de permanência e convivência de uma transexual ou travesti em ambiente escolar e universitário. [... o isolamento e abandono escolar são causados pela hostilidade e não reconhecimento/aceitação da identidade de gênero...]


Serei representante (delegada) das transexuais, juntamente com a amiga Luisa Maria Stein, representando o RS na II Conferencia Nacional LGBT.
Eu representando as mulheres transexuais readequadas, com a realidade após a cirurgia, e Luisa com as demandas do grupo que aguarda a cirurgia no PROTIG do Hospital de Clinicas de Porto Alegre.
Senti falta de um homem trans na conferencia estadual, representando a voz dessa população que ainda encontra-se meio entre sombras...

Acima, a delegação gaúcha eleita para representar o estado na Conferência Nacional em dezembro.

II Conferência Estadual LGBT RS

Painéis, Parada Livre e a presença da ex-BBB Angélica Morango são algumas das atrações da II Conferência Estadual para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), que acontece de 21 a 23 de outubro, no City Hotel, em Porto Alegre. Para a abertura do evento, que tem como tema “Por um Rio Grande Livre de Homofobia, Construindo a Cidadania LGBT”, estão confirmadas as presenças do governador Tarso Genro, da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, e do secretário da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Fabiano Pereira.

A conferência inicia às 13h da sexta-feira (21) com o credenciamento (confira a programação em anexo). A programação será dividida em três painéis coma participação de nomes de referência no assunto. O tema “Homo-lesbo-transfobia no contexto local e nacional” abre o debate, às 14h. Os dois outros painéis abordarão “A Construção da cidadania LGBT” e “A construção de Políticas Públicas para a população LGBT”.

Após os painéis, serão formados cinco grupos de trabalhos (GTs), oportunidade em que os participantes irão debater e apresentar propostas baseadas em temas relevantes para a população, como saúde, educação, combate à violência e direitos humanos. São esperados cerca de 400 delegados eleitos em conferências municipais e regionais, que terão poder de decisão na votação das prioridades formuladas durante os GTs.

Para o final da tarde de sábado (22), está prevista a votação dos delegados que irão participar da II Conferência Nacional LGBT. A programação encerra no domingo (23), com a 15ª Parada Livre, que inicia às 17h, no Parque da Redenção, e que terá a presença da militante do movimento LGBT, lésbica e ex-BBB Angélica Morango.
Todo o material produzido nos três dias servirá para apoiar o programa “Rio Grande Sem Homofobia”, campanha lançada pelo governo do Estado, em junho deste ano. O coordenador de Diversidade Sexual, da SJDH, Fábulo Nascimento, diz que “com a plenária final da conferência se formarão subsídios necessários para dar início a um novo processo de consolidação de políticas de Estado, e não apenas de governo”.

Segundo o coordenador, o tema da violência homofóbica vem sendo cada vez mais abordado na sociedade. “A Conferência Estadual LGBT acontece em um momento em que a homofobia está em pauta. É uma boa hora para discutirmos a questão e lutar para que a sociedade encare com naturalidade a diversidade sexual”, completa o coordenador.

A II Conferência Estadual LGBT foi organizada com a participação de diversas secretarias de Estado, principalmente as que são ligadas com o tema. Em preparação a essa etapa, foram realizadas cerca de 15
encontros regionais em todo Estado, em parceria com a Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos, por meio da Coordenadoria de Diversidade Sexual.

Reprodução de matéria extraida do site da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH)

Sobre ativismo nas redes e ocupação da praça em Salvador

Gente, gostei muito desse texto do Fabricio KC. Então estou reproduzindo por aqui, pois tem a ver com algo que escrevi em um post anterior sobre Ativismo Virtual. Concordo com seu ponto de vista sobre a questão e sobre os partidos politicos, que apontam os problemas, mas buscar soluções, muitas vezes são deixados de lado. E entra o clientelismo e até coronelismo. A exemplo do PT e o seu Bolsa Familia. Que é um gerador de votos - e escravizador do povo -  pois não sana  problemas como desemprego e geração de renda, nem estimula ou qualifica as pessoas em situação de pobreza a mudar essa situação... Depois faço um post adicional! Bjs.



Sobre ativismo nas redes e ocupação da praça em Salvador

O Passa Palavra publicou um texto, intitulado “Curtir or not curtir”, que comenta a mobilização de ocupação da praça municipal em Salvador, ocorrida no último dia 30, sexta-feira. O texto, basicamente, questiona, “sem desconsiderar as potencialidades concretas de comunicação em rede”, a confusão entre a militância real (sic) e o que o autor chama de “militância virtual”, e também critica aspectos como as pautas abordadas e a quantidade de manifestantes no local.

O autor deixa claro que opinou a partir da perspectiva de um observador passivo. – Aqui segue uma opinião a partir da posição de participante.



A QUESTÃO QUE MAIS IMPORTA

O Passa Palavra tem lançado importantes questões sobre o ativismo e militância nas redes, sobretudo quando comentou as marchas simbolicamente capitalizadas pelo Coletivo Fora do Eixo, em verdade um grupo de empresas meramente comercial que atua no mercado de cultura (e opera através de modelos de negócios alternativos), e que – segundo a propaganda de alguns duvidosos auto-denominados intelectuais do mundo pós-cognitivo – representaria o novo comunismo, o hackeamento do capitalismo, repetindo jargões sem importância para qualquer reflexão autêntica, ao mesmo tempo em que criam carreiras, esses intelectuais das redes, e conseguem poder em certas esferas, sobretudo aquelas patrocinadas pela Petrobras, via leis de incentivo, claro.
Ora, é óbvio que o ativismo, quando restrito às redes, não faz sentido. A internet deve ser instrumentalizada como catalisadora de ações coletivas livres e integradas, organizadas espontânea horizontalmente.

Não há em nosso atual contexto militância mais virtual do que o discurso dos partidos, rico em saudáveis contradições mas anulados na capacidade de transformação real das estruturas contra as quais eles lutam. Os partidos que importam quase sempre começam como grandes e eficazes movimentos populares, depois se tornam burocracias verticais até alcançarem, como no caso do PT*, tal patamar (e exercício) de poder que nada têm a invejar das práticas dos tradicionais agentes da dominação no campo da corrupção, do autoritarismo, dos jogos de interesses e do clientelismo.

Os movimentos iniciados através das redes sociais são, obviamente, embrionários. Aqueles que deles participam nem sempre têm um discurso político articulado, uma mensagem e um método claros – aliás o controle da mensagem é a ferramenta básica de políticos profissionais, seja dos que exercem o poder seja dos que lutam para tomá-lo.

Para que impor métodos e dinâmicas de funcionamento aos movimentos que apenas se iniciam abordando, mesmo que de forma desarticulada, os temas e questões que, inclusive, são os mesmos que interessam aos seus críticos? Por isso, para aqueles que são militantes políticos mas se posicionam como meros observadores de tais movimentos, a ação mais pertinente não seria apenas apontar as falhas e limitações dos movimentos (embora isso seja fundamental), mas sim propor alternativas para enfrentá-las. Creio mesmo que a questão principal – que é ao mesmo tempo o motivo das críticas e dos anseios comuns a todos – é a seguinte:
Como conseguir com que tais movimentos iniciados em redes sociais – esses momentos de ação política – se tornem permanentes, continuados, crescentes, articulados e, sobretudo, alcancem algum grau real de efetividade política?


O PODER DO TWITTER

Se há algo que hoje não se pode pôr em dúvida, é a capacidade política das redes sociais. E não estou a falar das revoluções árabes ou das ocupações espanholas, nem dos protestos em Wall Street, todos movimentos que não seriam possíveis sem as redes. Vamos a um exemplo recente, simples e muito direto e esclarecedor.
Há alguns dias, os membros do Conselho Administrativo da RTVE, emissora de TV pública espanhola, aproveitaram certa situação da política no país (em dois meses haverá eleições que prometem mudar o governo) e estabeleceram para si mesmos, através de uma votação legal mas socialmente questionável, a inédita função de controle prévio sobre as atividades dos jornalistas da emissora. (Veja aqui comentário em inglês sobre o caso, pelo jornalista espanhol Pepe Cervera: http://www.portada-online.com/article.aspx?aid=8592 )
Os jornalistas da casa protestaram e o assunto veio à tona no dia 22 de setembro, passando a repercutir no Twitter. Em seguida, o que ocorreu foi uma dessas mobilizações instantâneas virtuais que as redes sociais permitem: centenas de jornalistas de vários veículos e tendências diversas começaram a difundir e criticar a iniciativa do Conselho através de milhares de tuítes, questionando seus interesses e a sua legitimidade, não obstante sua legalidade, até atingir os partidos implicados e suas lideranças. O tuitaço colocou o assunto na imprensa pôs em questão o respeito dos partidos políticos pela independência jornalística da emissora pública. A pressão aumentou quando as rádios, no dia 23, ampliaram ainda mais a ressonância da polêmica.
Os representantes dos principais candidatos às eleições foram interrogados através do Twitter, e de pronto manifestaram sua discordância da decisão do Conselho, indo de encontro aos conselheiros que são politicamente nomeados. Uma reunião de emergência foi convocada e os conselheiros reverteram a decisão – apenas um deles se demitiu depois do caso: o representante do sindicato das Comissões Trabalhadoras, que se abesteve na votação da medida de controle que gerou a polêmica. Os demais conselheiros permanecem nos cargos mesmo depois de publicamente desautorizados pelos partidos que os nomearam. Depois disso, não há como duvidar da capacidade política das redes sociais.

A OCUPAÇÃO DA PRAÇA MUNICIPAL EM SALVADOR
 
A internet é uma rede de pessoas – é importante ter isso em conta. Não se trata de um universo meramente virtual. Eu participei da manifestação, conheci pessoas, discutimos ideias, discordamos e concordamos. Houve um fórum público informal, com propostas concretas, tais como: criação de estruturas autogestionárias de contra-poder, com vistas a fortalecer o controle sobre o poder político vigente na esfera local, e de discutir e implementar ações efetivas e soluções alternativas em torno de problemas sociais, através de metodologias libertárias.

Enfim, não devemos agora exigir resultados imediatos das mobilizações, nem mesmo julgar sua eficácia e suas formas de atuação e acontecimento: devemos participar visando o processo e não os resultados – dado o difícil contexto político, social e cultural de Salvador, que não escapa ao quadro geral típico brasileiro. Trata-se do início de um processo e não do fim de um evento.
O convite está feito ao Passa Palavra: sua participação é fundamental para a ampliação e sobretudo para o fortalecimento desses processos ainda politicamente incipientes, mas de grande relevância simbólica como sementes que alguma coisa hão de germinar. Curtir e não se mobilizar é comodismo; presenciar o evento e não participar é o quê?

Por fabricio kc
________________

*Citei o PT como provocação pois, embora eu seja um crítico do partido (cujo poder afastou-se das bases e passou a se concentrar na cúpula) constitui o mais importante partido do Brasil, historicamente e, claro, atualmente.

Fonte: ANTITEXTOS

Ainda sobre a despatologização da transexualidade:

Estava lendo no Blog Trans Homem Brasil esta matéria do post abaixo sobre a despatologização da transexualidade. Concordo em muito com este belissimo texto.
Eu pessoalmente sempre fui de posição contrária à despatologização, por não sabermos ao certo no que tal atitude acarretaria. E pelo risco de interromper, ceifar os sonhos de milhares de homens e mulheres transexuais. E isso não seria justo, seria desconstruir uma pequena vitória, conquistada à duras penas.

Quando assisti à uma matéria sobre a liberação da cirurgia nos hospitais universitários à nivel experimental, nos meados de 1997, não cabia em mim de tanta emoção. O sonho inalcançável parecia mais possível, palpável, real. Ainda levei dois anos para conseguir ingressar no ProTIG (Programa de Transtorno de Identidade de Gênero), no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, tamanha a desinformação sobre o assunto.

Ligava para todos os possíveis hospitais (inclusive o HC) e diziam nem saber que existia essa cirirgia no Brasil. Tentei entrar em contato com jornais, revistas, a emissora da reportagem, e nada!
Mas não desistia, passavam-se tres ou quatro meses e tentava novamente. Quem sabe implantavam esse atendimento por aqui? Até que em 1999, ao ligar mais uma vez para o HC, tive a sorte de ser (bem) atendida por uma telefonista que sabia do ProTIG, e encaminhou minha chamada para o setor responsável, onde tive todas as informações necessárias e iniciei meu tratamento.

Foram dois anos e meio de acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, em consultas individuais e em grupo. Passei por psicóloga, psiquiatra, fonoaudióloga, assistente social, ginecologista e urologista. Mas em nenhum momento fui tratada como doente, ou como vítima. O tratamento era igual e respeitoso. Na verdade eu nem conhecia o termo TRANSEXUAL, pois naquele tempo não era discutido e nem conhecido esse tema e essa questão. Ao chegar na primeira consulta, me identificava com uma travesti, mas com uma cabeça de mulher. Desejando "mudar de sexo" e assim adequar minha genitália à minha cabeça e minha alma.

E depois que me identifiquei e me reconheci enquanto transexual, descobri que de doente nem eu e (quase) nenhuma outra dos grupos tinha nada. Que a dita "doença" está somente no CID10, para servir de argumento para a cirurgia ser custeada pelo SUS. Só isso!
E sem termos a certeza de que retirando esse código (é só isso, um código) não prejudicaremos o tratamento e o acesso à ele de milhares de homens e mulheres transexuais de todo o Brasil.
E olha que tem apenas cinco ou seis estados com grupos e equipes formadas no pais.

Lembro com angústia e preocupação, de que seis meses antes de minha cirurgia, o SUS,MESMO SENDO CONSIDERADA COMO DOENÇA a transexualidade (transexualismo no CID10), negava-se à custear a cirurgia. E o pior, tinhamos de articular uma luta meio "na moita", interna para a retomada das cirurgias, pois se procurássemos mídias chegaria à opinião pública. E sabíamos que a repercusão seria negativa. E o resultado também.
Já imaginávamos a revolta de alguns preconceituosos e donos da verdade, argumentando que no Brasil, morre tanta gente por ano, à espera de algum procedimento cirúrgio de urgencia, então porque fazer mudanças de sexo, se isso seria uma "escolha" pessoal, não um problema de saúde?

Tivemos de procurar alguns políticos, a então Des. Maria Berenice Dias e algumas pessoas influentes, incluindo a direção do HC. Tudo sem levantar poeira e fazer alarde.
Ficou uma única alternativa, emergencial, utilizar o fundo de pesquisa destinado ao HC para custear temporareamente as cirurigias, para evitar que ficassem muitas em atraso e evitasse ou diminuísse o pânico e desânimo comum à tod@s transexuais que faziam parte dos grupos atendidos na época (eram quatro grupos, tendo uma reunião por semana com cada um. Cada grupo tinha uma reunião no mês).

Se a Transexualidade sendo entendida como doença, o SUS por vezes tenta abster-se de sua responsabilidade, imagino se a despatologização acontece de fato. Os argumentos para a negativa do Sistema Único de SAÚDE em custear o Processo transexualizador seria fundamentado em ser agora esta uma cirurgia "estética", uma vez não tratar-se mais de um problema de saúde, um transtorno de disforia de gênero. Tem de ser tudo muito bem pensado, articulado e alinhavado, inclusive com representantes do Ministério da Saúde, para depois não ter a necessidade de termos um grupo de trans de "copinho na mão" nas portas do SUS.

E depois de ter realizado a readequação, novamente um entrave com o custeador (SUS) levou à formação de um Grupo de Trabalho para a inclusão definitiva para a inclusão da Cirurgia de transgenitalização e do processo transexualizador na tabela do SUS, no Ministério da saúde em Brasília, do qual tive o privilégio de ser uma das titulares. Pois dalí saiu um compromisso com o então Secretário do Ministro, Gomes Temporão (que pouco tempo depois tornou-se Ministro da saúde) de reforçar um olhar sensivel à questão e tornar viável e definitivo essa inclusão. E assim aconteceu pouco tempo depois.

Então poderia sim ser um Tiro No Pé essa luta pela Despatologização da Transexualidade, apenas para gritarmos ao mundo que não somos doentes. Mas e a Transexualidade, não é então um problema de saúde pública? Estará o SUS desobrigado de custear o Processo Transexualizador? Quem pagará essa conta? As pobres trans, que por vezes não tem condições de pagar nem o implante mamário de próteses de silicone? Os homens trans, que necessitam de diversas cirurgias? As ONGs que "conquistaram" a retirada do sufixo "ismo" da transexualidade? Quem?

Todos sabemos que não somos doentes, que a Transexualidade não é doença. Que algumas doenças podem sim, surgirem causadas por tamanho sofrimento e desconforto com a realidade de ter um corpo com o qual não se identifica, e a "cura" ou o modo de amenizar estes malefícios é somente a redequação. Aqui não somente a sexual, mas a de gênero, passando por hormônios, depilação a laser para as trans, colocação de próteses, ginecomastia para os FTMs, e a social, iniciando com a retificação do registro civil e demais documentos civis. Um tratamento por completo. Seria melhor do que a despatologização por despatologizar! Pois seria uma luta que traria frutos certos, teria um alvo certo e resultados igualmente.

E lutar pela despatologização da Travestilidade, que isso sim é um absurdo. E a retirada das travestis do CID10 não traria a elas nenhuma perda. E nessa luta, estaríamos de mãos dadas com nossas amigas travestis. Há muitos anos atrás, em um Encontro regional (RS, SC e PR) de Travestis e Transexuais, muito discutiu-se sobre esta questão, e ficou acordado de pleitear-se a retirada das travestis do Código Internacional de Doenças (CID) e deixar-se, por hora as transexuais, uma vez que não sabia-se o resultado dessa retirada. E conversei muito sobre o assunto com a divina Keila Simpsom.
Tenho estado afastada do Movimento LGBT, mas não sabia da retomada dessa discussão, mas creio que ainda vai longe...

Blog; a importância do retorno

Para mim (e creio que para a maioria dos blogueiros) a maior demonstração de retorno, de que está no caminho certo, sejam as visitas, o número de seguidores (se o blog tiver esse recurso) e os comentários e sugestões deixados pelos visitantes... É para mim o maior estimulo!!!
Dá energia e vontade de continuar escrevendo e confidenciando minhas vivencias, replicando ou escrevendo matérias interessantes sobre variedades, produtos e atualidades e socializar fatos e atitudes, sejam positivas ou contrárias àos LGBT's.
Quando recebo um e-mail ou contato solicitando uma informação, esclarecimento ou entrevista, sempre que é pertinente respondo. Por vezes, quando não tenho a informação solicitada, pesquiso, ou aciono os meus contatos, buscando uma forma de auxiliar ao leitor na solução de sua necessidade.
Mas o maior retorno é sempre os comentários, sem dúvida. É para mim o termômetro de que estou [ou não] no caminho certo, de que ainda vale apena continuar. Por vezes, ao postar sobre algo, o blog recebe inúmeras visitas após divulgar via Twitter ou Facebook, mas ninguém comenta...
Confesso que isso sim me intristeçe e desmotiva um pouco! Não que alguém seja obrigado à comentar. Mas pela expectativa do retorno, e da discussão sobre determinado assunto! Só isso!
O Diário de Uma Transexual é um blog que surgiu de maneira despretenciosa, apenas para desabafar e contar minhas coisas, em um momento em que estava sem amigas para desabafar e dividir, pois minha maior amiga eu tinha perdido à pouco. Haviamos nos afastado, e sempre dividiamos TUDO uma com a outra, as coisas boas e tristes. Momentos dificeis; sempre a tive ao lado. Eramos irmãs...
Mas então pensei... Um diário seria bom; e se fosse virtual melhor ainda. Assim dividiria com muita gente (de repente até mesmo com ela) as vivencias e pensamentos, e talvez até encontrasse pessoas com os mesmos grilos e situações, para enriquecer a troca. Mas quando a troca não vem, fico triste.
Não quis e não quero colocar anuncios pagos no blog, não o fiz para isso! Divulgo sites e blogs de parceiros. Prestigio meus amigos. Escrevo pensando em voces, e n@s tant@s pessoas trans e demaios LGBT's que vivem ainda na opressão e até clandestinidade, pela realidade violenta e covarde de algumas regiões do país. Recebo e-mails de pessoas do interior de alguns estados, que revelam um realidade tão ultrapassada e homofóbica, que nem parece atual e real. Será um retrocesso?
E o que acontece nas grandes metrópoles? Na Av. Paulista, por exemplo?
Não seria esta a hora de botarmos a boca no trombone? SIM! E por algum lugar devemos começar!
Alguns chamam isso de "Ativismo de sofá", mas como diz um comercial de TV recente: "Antigamente, as grandes revoluções começavam nas ruas; hoje começam nas redes sociais"! E eu, enquanto militante, não poderia me omitir e deixar de utilizar este espaço para divulgar e levantar questões relevantes à causa LGBT e de Direitos Humanos.
Beijos prá quem gosta... FUI

Porque a Homofobia está vitimando Héteros?

Hoje em dia o asunto sexualidade é abertamente discutido em programas de televisão, revistas para o público adolescente, em conversas familiares, em todo lugar! Parece que o tabu que envolvia o tema desaparecera.
Nas escolas ainda notamos uma certa resistencia em abordar temas como as sexualidades, a discriminação à LGBT's e a tolerância e inclusão.
Mas ações e debates de inclusão e tolerância (em todos os âmbitos) parecem ser cada vez mais necessários e urgentes, uma vez que a homofobia toma conta das ruas, shoppings e demais espaços da sociedade.
Antes eram somente os LGBT's as vitimas destes ataques covardes e gratuitos. Agora, até mesmo os "ditos" héterossexuais (ou até mesmo alguns homofóbicos) podem ser as próximas vitimas de ataques de ódio à LGBT's.
Não pode pai e filho andar abraçados, amigos caminhar lado a lado, amigas de mãos dadas (na Parada Gay de São paulo uma repórter foi agredida por ser confundida com lésbica)!
Será o feitiço se voltando contra o feitiçeiro, ou o grito de que é URGENTE a necessidade de aceitar, respeitar e tolerar as diferenças, sejam elas quais forem?
Lembro que há muito tempo atrás, travestis, por exemplo, não podiam morar em "prédios de familia", frequentar restaurantes ou fazer algumas atividades normais aos demais cidadãos apenas por sua condição de gênero!
Eram vistas como Marginais. Por vezes ainda são.
Lembro de uma entrevista da linda Telma Lipp na Hebe, creio que lá por 1995, sei lá, mas ela dizia que algumas vezes, ía a restaurantes jantar ou almoçar, e os proprietários ou algun cliente chamava a policia, e os policiais a convidavam a se retirar do estabelecimento. Pode?
Isso me marcou tanto, que jamais esqueçi! Só de imaginar tamanha dor e humilhação, o constrangimento de uma vida marcada e construida por silicone, coragem e lutas... Um leão por dia.
E as travestis não tem como se despir de suas formas moldadas em busca da mulher idealizada para si, suas roupas e caracteristicas peculiares, suas personalidades fortes, sua força e beleza. Nada disso pode ser "deixado na gaveta, ao sair às ruas. O que as torna (assim como às transexuais) mais vulneráveis a ataques de transfobia e ódio.
Recentemente, como relatei em um post anterior, aqui em Porto Alegre, uma médica pediatra teria sido perseguida e agredida após uma briga de trânsito, por ser transexual. Em todo o Brasil, pelo menos um caso de transfobia acontece por dia, com maior ou menor "violência", sendo agressão ou discriminação.
Atualmente os gays, em geral, já não tem tanta vulnerabilidade, uma vez passada a "Síndrome da Bicha Louca", com suas calças justíssimas e lençinho no pescoço. O que confunde ainda mais os preconceituosos de plantão, e protege aos gays, saídos do armário, mas também do esteorótipo.
E essa confusão, benéfica por certo ângulo, ainda vitíma à alguns, inclusive à Héteros... não seria mais fácil respeitar o direito do outro de viver e amar livremente? Não seria mais digno aceitar que vivemos em uma sociedade diversa, plural e que EU também sou "diferente" em algo?

Na verdade SOMOS TODOS IGUAIS, TODOS DIFERENTES !!!
Por Cristyane Oliveira.

1ª Conferência Municipal LGBT de Porto Alegre

Começa nesta sexta-feira (26 de agosto/2011) a 1ª Conferência Municipal LGBT do municipio de Porto Alegre. Visando implementar e fortalecer  ações de combate à homofobia, transfobia e lesbofobia, assim como planejar metas, discutir ações e discutir as necessidades e demandas da população LGBT no municipio.
Acontecimentos recentes como ameaças e agressões à LGBT's certamente serão alvo de um olhar preocupado por parte dos integrantes e participantes, tendo em vista as recentes ações (ou ameaças) por parte de grupos SKIN HEADS, e alguns casos de agressões ou discriminação.

                                                                                

Se liga na programação:                           


Sexta-feira, 26 de agosto



Local: Auditório Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre


18h00 às 19h00

Inscrição e credenciamento


19h00 às 19h30

Mesa de abertura


Gustavo Bernardes
Coordenador Geral de Promoção dos Direitos de LGBT da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República

José Fortunati
Prefeito de Porto Alegre

Fabiano Pereira
Secretário da Justiça e dos Direitos Humanos do Rio Grande do Sul

Mário Humberto de Azambuja
Coordenador de Políticas para Direitos Humanos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana

Marcelly Malta
Presidenta da Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul

Roselaine Dias
Representante da Liga Brasileira de Lésbicas do Rio Grande do Sul

Célio Golin
Coordenador do nuances – grupo pela livre expressão sexual
 
Representante do SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade
19h30 às 21h


Palestra de abertura

Direitos Humanos e Políticas Públicas no contexto da livre orientação sexual e identidade de gênero



Profª Drª Jimena Furlani
Doutora em Educação pela UFRGS, com experiência nas linhas de pesquisa Relações de Gênero, Sexualidade e Educação.

21h

Coquetel




Sábado, 27 de agosto

Local: Auditório Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre


08h00 às 09h00

Inscrição e credenciamento


09h00 às 10h00

Plenária Inicial


10h00 às 12h00

Painel de abertura


Prof. Dr. Henrique Caetano Nardi
Doutor em Sociologia pela UFRGS, coordena o Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Relações de Gênero do Instituto de Psicologia da UFRGS.



Gustavo Bernardes
Coordenador Geral de Promoção dos Direitos de LGBT da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República



Almoço


13h30 às 16h00

Grupos temáticos

Local: Salas de Comissões e Auditório Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre


- Violência e Segurança Pública

- Saúde e Assistência Social

- Educação

- Cultura


16h00 às 17h00

Plenária Final

Elaboração do relatório consolidado e votação de delegados para a II Conferência LGBT do Rio Grande do Sul


Esta é uma oportunidade e um espaço de grande importância, para fomentarmos a busca por direitos, liberdade, visibilidade, cidadania e direito ao acesso à saúde para LGBT's.

Rebelião de Stonewall - 1969

Sem dúvida a rebelião de Stonewall foi um marco pela luta por respeito e direitos da população LGBTT. Em 28 de junho de 1969 o "Stonewall Bar", que era freqüentado pelo público LGBT da cidade de Nova Iorque, sofria constantes visitas do policiais, sendo além de extorquidos, tratados como animais.


Com luta física e tudo o que encontravam pela frente, os 400 gays aproximadamente, que se encontravam no bar, foram para cima da polícia acabando com as inúmeras pressões e começando de uma vez por todas a luta pelo respeito mundial.

A rebelião de Stonewall para os mais jovens é um fato sem grandes proporções e principalmente no Brasil, mas é questão de honra para todo ativista, escrever, publicar e exaltar os acontecimentos de 1969 no E.U.A.

Uma curiosidade se mostra mais perdida ainda na história de Stonewall.Todas as vezes que a polícia fazia sua blitz, pessoas travestidas.A situação estava tão tensa e com praticamente todas as travestis presas,que os gays e as lésbicas armaram a maior cena de guerra em Stonewall.





“De repente, o camburão chegou e o clima esquentou. Três das mais descaradas travestis – todas em drag – foram empurradas para dentro da viatura, junto com o barman e um outro funcionário, sob um coro de vaias da multidão. Alguém gritou conclamando o povo a virar o camburão. Nisso, saía do bar uma sapatona, que começou uma briga com os policiais. Foi nesse momento que a cena tornou-se explosiva. Latas e garrafas de cerveja começaram a ser atiradas em direção às janelas e uma chuva de moedas foi lançada sobre os tiras…”, saiu no Village Voice.



No dia seguinte, os policiais voltaram ao bar. Mas a multidão de gays, lésbicas e travestis também voltou mais organizada, com uma atitude mais política, e alguns começaram a pichar frases nas vitrines e nas paredes, reclamando direitos iguais. Outros gritavam exigindo o fim das batidas nos bares gays. Novamente a multidão atirou pedras e garrafas em direção aos policiais e novamente a polícia investiu contra os manifestantes.

Uma placa foi colocada à vista no bar onde os visitantes podem reconhecer alguns nomes inscritos, entre eles Gunner Scott, director do Massachusetts Transgender Political Coalition (MTPC); Grace Sterling Stowell, directora executiva da Boston Alliance of GLBT Youth (BAGLY); a sempre activista Nancy Nangeroni, ex-presidenta da International Foundation for Gender Education (IFGE) e ex-"co-host" da GenderTalk Radio, hoje na GenderVision; e Cole Thaler, membro fundador da MTPC, hoje advogado de direitos transgénero na nova-iorquina Lambda Legal.Todos esses, heróis de 1969.

Os três dias que marcariam de uma vez por todas a luta por direitos iguais se seguiu com protestos pró lésbicas, trans e por aí a fora.

Devemos nos espelhar no passado, para obter forças de lutar contra a homofobia e a intolerância sexual.

Por Erik


Texto extraído de: gplaneta.blogspot.com
http://gplaneta.blogspot.com/2011/01/rebeliao-de-stonewall-1969.html

Chega de Homofobia, Transfobia e Lesbofobia!

Campanha #BoicoteDuloren

Postado sexta-feira, 29 jul 2011 Por Eleicoes HoJE - Homofobia Já Era.

Hoje ficamos estarrecidos com a notícia que Bolsonaro pode ser parte de uma peça publicitária da marca de lingerie Duloren. E este ainda se recusou a participar da campanha ao lado da transexual Adiadna porque “só toparia aparecer ao lado de uma mulher e não de um homem” sendo que a empresa afirma: “Lembrando que a Duloren jamais se posicionou como uma marca homofóbica ou com qualquer tipo de discriminação.”

Nós, do Eleições Homofobia Já Era, entendemos que todas as empresas devem ter responsabilidade ao vincular sua imagem a conteúdos que possam ser ofensivos a um ou vários grupos sociais. Isso faz parte da tão falada responsabiliade social que tanto se persegue atualmente.

Quando falamos vários grupos sociais, entendemos que não somente LGBT’s serão atacados, difamados e ofendidos por este parlamentar e que já noticiamos várias vezes em tal publicidade. As mulheres também são alvo e suas agressões. Você mulher ou que tem esposa/namorada/mãe/irmã/amiga/cunhada/etc gostaria de usar ou que alguém usasse uma marca cujo garoto propaganda tem estas atitudes, fora os casos de racismo e homofobia:

Por estes motivos, repudiamos a atitude da Duloren Brasil em fazer uso da imagem de uma figura que simboliza a homofobia, o machismo, o racismo, a misoginia, o sexismo e que, ao invés de ser repudiada, está sendo “glorificada”.

Proteste você também twittando a tag #BoicoteDuloren e usando os canais de contatos da empresa:


Contato do site: http://www.duloren.com.br/#/contato/

Facebook da empresa: http://www.facebook.com/duloren

Twitter da empresa: http://twitter.com/DulorenBrasil


O combate ao preconceito tem que ser levado a sério ao invés de ser alvo de piada e desdém em peça publicitária. Flertou-se com o extremismo na Europa e este fez 77 vítimas da Noruega. Não queremos que este flerte resulte em mais legitimação da violência em território brasileiro.



Leia Mais Em: http://www.eleicoeshoje.com.br/campanha-boicoteduloren/#ixzz1TWxmLQjW

Políticos X conceitos e preconceitos.

Fico (ainda hoje) abismada com as barbaridades e atrocidades ditas e cometidas por alguns parlamentares contra alguém ou algo que não vá de encontro à seus conceitos, fé ou vivencias.



Por vezes, vossas excelências agridem gratuitamente uma parcela da população, que possivelmente seja responsável pela maioria dos votos recebidos para sua eleição.


Cito o caso de Clodovil (saudoso, por sua autenticidade), que agredindo uma mulher, agrediu à todas, classificando-nos em bonitas ou feias, etc... E ainda dizendo que uma mulher sendo feia não poderia ser prostituta (bafo!). E certamente foram das mulheres a grande maioria de seus votos recebidos, até porque da comunidade LGBT ele parecia deixar claro não querer nenhum tipo de vinculo ou associação.


Daí vem o “seu” Jair Bolsonaro com toda sua carga de recalque e preconceitos, dizendo que a orientação sexual depende da educação (a homossexualidade é falta dela), que seus filhos foram bem educados e jamais teriam uma conduta homo, e que por esta mesma educação recebida, também não se relacionariam com uma moça negra... PASMEI!!! E um projeto de separar o "sangue gay" do hétero nos hospitais.


É o Hitler sem o bigode, de tão ignorante e preconceituoso.






Mas depois de baixar a poeira (e os ânimos) levantados pelo Bolsonari, vem a meiga deputada Mirian Rios, com um nariz de dar inveja, falar barbaridades que enojam e revoltam à quem por ela tem carinho, também a seu eleitorado LGBT, que certamente é grande. Eu nunca fui fã da deputada enquanto atriz, até pelo fato não lembrar de nenhum personagem importante por ela interpretado (acho que esse papel de preconceituosa, pela polêmica trará mais repercussão), mas sempre simpatizei com sua imagem meiga e voz serena.


Pois bem, ontem assistindo á MTV vi uma matéria na qual em um vídeo a tal moça do nariz por mim invejado diz que não contrataria um empregado (motorista) sabidamente gay. Pois vai que um dia ele RESOLVESSE virar travesti e aparecesse para trabalhar vestido de mulher? Pois quer dar uma educação (novamente a educação) a seus filhos para que sejam heterossexuais, a fim de perpetuarem a espécie. E também teria medo de que ele BULINASSE os meus filhos, diz ela, pois sabemos da pedofilia... Agora sim, CAI DURA PRETA E CONSTRANGIDA!!!






Queria saber só uma coisa: QUEM ESTÁ ELEGENDO ESSA GENTE? (assumo que como não acompanhei a campanha dela, pela simpatia antes sentida, até votaria também). Afinal, no que se refere às mais diversas formas de agressão e desrespeito à comunidade LGBT,


E como diz meu amigo URSO, gay é como geladeira, toda família tem (pode ser uma imponente e escandalosa duplex, ou uma discreta frigobar), então tem família de LGBT assinando embaixo dessas falas, gente! Rsrsrsrsrs bem, se eu tivesse um filho gay ou travesti (ou irmã, etc) não gostaria de ver alguém dizendo que não quer seus filhos perto Del@ apenas por sua orientação sexual.


Se estes não forem tidos como quebra de decoro parlamentar, o desrespeito à dignidade da pessoa humana, apenas pela questão sexual, étnica ou social, nada mais poderá!


E se prezam tanto a educação afinal, dela depende a OPÇÃO (segundo eles) sexual dos futuros brasileirinhos, deveriam investir em uma educação digna e de qualidade, começando pelo tratamento equivalente à tal importância aos tão desprezados e explorados professores. E é claro, voltar á escola para assim aprender que nada tem a ver uma coisa com a outra! Ou eles desconfiam da masculinidade do Lula e Tiririca? Afinal, eles não tiveram tanta instrução quanto o nazista ou a narizinho, que apenas pautados em uma educação correta, construíram a orientação sexual de seus filhos.






Esse é o BRASIL... E tem que amar!!!

Silicone Industrial

Fiquei chocada com esta noticia da morte de mais uma travesti vitima de aplicação de silicone industrial. Ainda mais sendo uma travesti tão jovem e que buscava a beleza e sensualidade de um corpo feminino.
E para as travestis que se prostituem, a bombação é quase uma obrigatoriedade; faz parte de uma evolução: se montar, bombar, colocar as próteses mamárias, fazer o nariz e depois voar para a Europa!
Para as transexuais não tem tanta necessidade de bombar pois não é a única alternativa, uma vez que o tratamento hormonal (hormonioterapia) distribui a gordura no corpo de forma feminina e geralmente age nos glúteos, dando-lhes forma arredondada e feminia na maioria dos casos.
Para as travestis este não é uma caminho ideal, pois o hormônio atrapalha na ereção e ejaculação, e para uma travesti profissional do sexo é prejudicial, uma vez que pelo menos 90% dos clientes (por experiencia própria) são passivos, ou gostam de fazer sexo oral na travesti. Por isso o "apelido carinhoso" de mariconas para os clientes de programas.
O segundo motivo de meu espanto é o fato de que a bombadeira causadora da morte da travesti é a mesma que me bombou a mais de cinco anos.
Lembro do dia em que me bombei como se fosse hoje. Tava calor e eu suava de nervosa, e a Elba veio na minha casa, aqui em Porto Alegre. Super organizada, ela trouxe uma cama de massagista ou depiladora, sei lá, que ocupou a metade da cozinha do meu apartamento. Elba trouxe uma auxiliar, a Magnólia, uma travesti bem divertida, que me deixou mais relaxada, e um copinho para colocar as doses de silicone a serem injetadas. O copinho a Elba, que como pessoa é um encanto, deixou para meu marido como recordação. Era o copo que ele mais gostava, sempre pedia: "eu quero o copinho de Elba"!
Lembro que todos os dias Elba me ligava com aquele sotaque Carioca-nostista e perguntava: "E o corpo, Cristyane"? Sempre foi super atenciosa e disposta a ver-me e acompanhar a recuperação da bombação.
Mas claro que antes de marcar a bombação pensei muito, marquei, desmarquei, e até que marquei em definitivo, pois conhecia os riscos e consequencias da aplicação de silicone industrial.
Felizmente no meu caso, deu tudo certo, não tive nenhum problema, mas perdi algumas amigas, vitimas deste mesmo procedimento. E em nenhum dos casos de meu conhecimento a bombadeira foi responsabilizada e presa. Sei (e a bombadeira sabe) que é exercicio ilegal da medicina, crime. Mas a travesti ou transexual que procura o serviço dessas "fazedoras de corpos", sabedoras dos riscos, deveriam ser as únicas responsáveis pelos possiveis riscos. pois se não houvesse a procura, não teria também a oferta do serviço! Nunca então uma travesti ou transexual denunciaria uma bombadeira pelo simples fato de ela bombar corpos e egos, fazendo felizes e lindas muitas de nossas amigas. A denuncia aconteceria somente quando da morte ou "defeito" resultados da aplicação.
Pois sei de casos de travestis que tiveram mais sorte e ficaram apenas deformadas em parte do local bombado, ou onde tenha migrado o óleo. mas sobreviveram. E algumas que tiveram infecções gravissimas, mas felizmente recuperaram-se e hoje servem de alerta para outras que planejam bombar.
No ano passado eu iria retocar o bum-bum com uma conhecida bombadeira do sul do país, já havia combinado com uma transexual amiga minha. ela faria o seu retoque na terça (uns 30ml +ou-) e eu a cuidaria, e na quinta eu retocava e ela seria minha cuidadora. Quando terminava seu retoque ela começou a passar mal, foi para o hospital e tinha embolia pulmonar. O silicone havia entrado na corrente sanguinea e por pouco ela não morreu. Foi meu aviso, e desisti de fazer.
Penso que realmente, para algumas pessoas a bombação é quase inevitável, pois dependem do corpo e também a prótese de glúteos tem um preço astronômico e eu particularmente acho o resultado muito feio!
tava assistindo os desfiles de carnaval no Rio e vi a Valeska Popozuda em câmera lenta... Sem palavras para a cena horrivel daquela coisa inteira movendo-se na sua traseira.
Mas para alguns casos, como o meu e de minha amiga transexual, seria apenas o preço de uma vaidade sem limites, que poderia custar a vida! Pois era somente um retoque mesmo, coisa desnecessaria e boba. Felizmente tivemos uma segunda chance para contarmos nossas histórias e pensarmos, afinal, o que é mesmo importante na vida além da própria VIDA?

Mais uma morta por silicone industrial

Foi presa em São Paulo a travesti conhecida como Elba, 43 anos, acusada de provocar a morte de outra travesti, Shelley,de 22 anos. Elba era conhecida por aplicar, irregularmente e ilegalmente, silicone em jovens que saíam de outros estados do país para se prostituírem em São Paulo, capital.
Elba realizava o procedimento em sua própria casa, sem qualquer amparo médico. A travesti aplicava a anestesia e implantava as próteses ou botox, o valor baixo que era cobrado de suas “clientes” atraia muita atenção, em média Elba cobrava R$ 300, independente do procedimento.
O auto risco da prática causou a morte de uma travesti de embolia pulmonar, em dezembro do ano passado, após o material injetado entupir os vasos sanguíneos. Devido ao crime, Elba foi indiciada por homicídio doloso. A Justiça decretou a prisão temporária de 30 dias.

Trecho extraido da matéria no http://www.casadebonekas.com/

Barrada no Baile 2

Realmente interessante essa reportagem sobre a marginalização e descriminação de travestis em boates na noite de Fortaleza. Coisa que infelizmente se repete em todo o Brasil!
Muitas travestis e transexuais são barradas em boates, bares, clubes, e aqui no Sul nos chamados CTG's (Clube de Tradições Gaúcgas). Como se não fossemos cidadãs, não consumissemos e pagássemos nossa conta.
Por vezes, a exclusão disfarça-se em "norma da casa", "exigencia legal" ou "cultural", mas o fato é que as pessoas não estão preparadas para encotrar a travesti e transexual nas mais variadas situações sociais.
Hoje a Trans reside  e frequenta todos os ambientes, e em quase todos ainda encontra barreiras e resistencia como a encontrada na matéria.
Eu mesma já vivenciei esta situação em duas ocasiões. Na primeira, nos anos 90, estava eu com um amigo em uma boate "hétero" e fui ao banheiro. Uma mulher chamou o segurança dizendo ter um homem no banheiro feminino. Conclusão, fui retirada e agredida pelo segurança do lado de fora da boate. E olha que eu estava apenas no ambiente comum do toalette, usando o espelho para retocar o batom.
meu amigo em questão é uma pessoa super influente e conhecida na cidade, além de amigo pessoal da boate em questão e procurou o dono, pois além da agressão gratuita, o monstro fantasiado de Pitbull segurança afirmou que eu jamais entraria na boate. O dono repreendeu o segurança e ele justificou sua atitude ao chefe dizendo que ao entrar no banheiro eu estria brigando com uma cliente... Mentira!
Na segunda ocasião tive mais sorte (até parece) pois não sofri agressão fisica! Fui à um "bailão" com uma amiga, um lugar onde "travesti não entra" (não sei nos dias de hoje, pois isso já aconteceu a 20 anos) e entramos, estávamos nos divertindo quando um funcionário perguntou se poderia "conversar" comigo!
Pensei ser uma cantada e disse categoricamente que NÃO! Então ele identificou-se e pediu que o acompanhasse. Ao chegarmos na gerencia ele me informou que eu precisava me retirar do clube. Perguntei-lhe o porque e ele respodeu com uma pergunta: "Tú é mulher"? Minha resposta foi positiva, lógico. O moço pediu-me então os documentos e ao mostrar meu RG ele enfureceu-se e disse que ali não poderia ser frequentado por "esse tipo de gente" e mal tive tempo de despedir-me de minha amiga e fui "escoltada" sem nem ao menos devolverem-me o valor do bolhete de ingresso.
São coisas que marcam e ferem, na verdade mais marcam do que ferem, pois nunca mais tentei voltar naquele lugar; nem hoje, após a retificação de meus documentos civis.
Mas devemos sim frequentar e ocupar todos os espaços sociais e mostrar que somos igual, e temos os mesmos direitos de todo ciddão, e o principal é RESPEITO! E que sabemos de nossos direitos!
Pois somente assim mudaremos a mentalidade de pessoas tão preconceituosas e será tido como "normal" ver uma travesti ou transexual em qualquer lugar que um ser humano possa ocupar com dignidade.
Na Tailândia, transexuais são aeromoças, e sonho com o dia que serei servida e ou atendida por uma transexual ou uma travesti em um avião. Pois capazes e dignas desta e muitas outras ocupações certamente nós somos, basta termos acesso à este direito, que é um direito nato, o de ser IGUAL!!!

Barrada no baile


Gisele Almodóvar no teatro, o ator Silvero Pereira aceitou levar o
personagem às ruas e testar a tolerância nas casas noturnas de Fortaleza (Sara Maia) 

Gisele Almodóvar no teatro, o ator Silvero Pereira aceitou levar o personagem às ruas e testar a tolerância nas casas noturnas de Fortaleza (Sara Maia)
Mariana Toniatti
marianatoniatti@opovo.com.br

Sábado à noite, passa das 23 horas. Na porta do Complexo Armazém, no entorno do Centro Dragão do Mar, o segurança pede que Gisele espere por uma outra funcionária antes de comprar o ingresso. Gisele é Silvero Pereira. O ator, que pesquisa o universo das travestis e já desenvolveu várias peças sobre o tema, aceitou o convite do O POVO e saiu “montado” para testar algumas baladas da Cidade no quesito tolerância.

Uma semana antes - mais exatamente na sexta-feira, dia 11 - Bernardo Vitor, 25, também ator e parceiro de Pereira em suas montagens, foi barrado na entrada do Órbita Bar, vizinho do Armazém. Era noite de tributo a Beyoncé e Bernardo saiu para curtir produzido: foi vestido de mulher. O segurança impediu sua entrada porque a foto do documento apresentado na entrada não correspondia à imagem de Bernardo naquele momento.


“Expliquei que não era daquele jeito 24 horas. Nunca ouvi essa desculpa em lugar nenhum. Para mim, é preconceito disfarçado”, diz Bernardo. Uma semana depois, na porta do Armazém, o episódio voltou a se repetir. A travesti Gisele Almodóvar, personagem de Silvero Pereira, foi barrada sem rodeios. “A casa só aceita homem vestido de homem e mulher vestida de mulher”. Gisele pediu para falar com alguém da gerência. Não conseguiu. A reportagem teve mais sucesso, mas obteve da direção resposta semelhante. “Nossa casa é heterossexual, não é GLS. Não impedimos que mulheres que gostam de mulheres e homens que gostam de homens entrem, contanto que estejam vestidos de acordo com seu sexo e que não se beijem ou se abracem”, explicou Cláudia, gerente, que não quis dizer o sobrenome.


“A travesti sofre muito preconceito. O estereótipo da prostituição é muito forte. As pessoas julgam a condição de vida dela, mas não avaliam o histórico de vida, o que as instituições – a Igreja, a família, a escola – fizeram para ela estar na rua”, lamenta Silvero. Mas o saldo da noite de sábado foi positivo. Gisele entrou tranquilamente no Amici’s, também no entorno do Dragão do Mar.


Chamou a atenção, porque afinal não dá para aquele mulherão passar despercebido, mas sambou e curtiu sem ninguém atrapalhar. Teve até uma mulher que chegou para sambar junto, fez elogios e criticou o preconceito. Mais tarde, Gisele também entrou sem problemas no Kukukaya. Lá, os olhares de reprovação a acompanharam o tempo todo. O ambiente era mais hostil. “O público aqui é diferente, tem muita senhora, esse povo não está acostumado mesmo”, ponderou a Gisele de Silvero.


Naquela noite, o Órbita estava fechado, mas a proprietária da casa, Patrícia Carvalhedo, garante que desde o episódio com Bernardo, a portaria está flexibilizando o pedido de documentação para travestis. De acordo com Patrícia, o Órbita tem uma política rigorosa de checagem de documentos para evitar a entrada de menores de idade.


“Fui procurar o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab) logo depois e eles me orientaram assim. Seria a forma menos intolerante de tratar o assunto. É uma questão muito delicada. Garanto que Bernardo não foi barrado por sua orientação sexual, foi um problema de bilheteria”, diz Patrícia, que tinha hora marcada ontem no Centro de Referência LGBT Janaína Dutra, ligado à Coordenadoria da Diversidade Sexual da Prefeitura.


“Isso nos pegou de surpresa. É um assunto que está mais em voga porque estamos às vésperas da aprovação da lei que criminaliza a homofobia e temos transexuais na mídia. Temos que conversar mais para saber lidar com essas situações”, considera Patrícia. Bernardo, por exemplo, registrou um Boletim de Ocorrência na terça-feira depois do incidente, mas ainda não sabe se vai levar adiante um processo. “Muita gente se cala. Eu fico com vontade de fazer alguma coisa. Não é para aparecer, até porque é uma situação constrangedora, mas para que não aconteça de novo”, pontua o ator. Como no sábado seguinte, quando Gisele foi barrada no Armazém.

BATE-PRONTO


O POVO - Um estabelecimento privado pode barrar um travesti?
Fernando Férrer - De maneira nenhuma. Não pode existir nenhum tipo de preconceito ou discriminação que ofenda sua origem, raça, sexo, cor, idade ou qualquer outra forma de discriminação.

OP - A direção do Órbita alega que não barrou Bernardo por estar vestido como uma mulher, mas, sim, porque a foto do RG não correspondia à imagem dele no momento. Isso é válido no caso de uma travesti?
Férrer - De forma alguma ele pode ser barrado por isso. É um ato discriminatório.

OP - Como deve proceder a travesti que passar por um constrangimento semelhante?
Férrer - O fundamental é ter como provar o crime de discriminação, aí se procura um advogado. Caso contrário, o risco de insucesso é grande. Ter testemunhas que possam comprovar a discriminação é muito importante. O Boletim de Ocorrência em si não prova nada. É interessante abrir um procedimento na hora. A Polícia tem obrigação legal de ir ao local do fato, apurar o crime. Fazer um BO dias depois não funciona.

Fernando Férrer. Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/CE). 

Dia Nacional de Visibilidade das Travestis e Transexuais

Depois de alguns contratempos (carro quebrou), consegui finalmente chegar ao local da manifestação, que teria incio as 14:00 e término as 17:00Hs. Mas cheguei pouco antes das quatro, e já não havia mais ninguém.Fiquei super triste por ser esta uma data especial que marca nossa luta por igualdade de direitos, respeito e cidadania! Fiz um protesto solitário, até que felizmente, encontrei a querida amiga e também militante LGBT Bruna Torres.
Ficamos as duas, até a chegada de mais uma transexual, a Rafa, que está no grupo do HCPA a espera da cirurgia! Uma pena, infelizmente não terem cumprido o tempo previsto para a manifestação, pois além do ato fazer parte do projeto em conjunto com a SMDHSH, perdeu-se a oportunidade de alcançar mais pessoas, pois quando o Parque começava a receber mais pessoas, e até mesmo a mídia chegava, estávamos apenas nós quatro. O rapaz do SBT disse que nem faria as imagens para não contar contra o movimento...
Queremos Visibilidade e Respeito, mas na hora de mostrar o rosto e a voz, cadê o comprometimento?
Se não temos três horas para dedicação integral à causa, o que estamos fazendo e querendo afinal? Pena...